
A Casa Branca anunciou nesta sexta-feira (25) que Estados Unidos e China vão abrir um canal de comunicação bilateral para lidar com incidentes envolvendo inteligência artificial. O acordo saiu de uma cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em Washington, a primeira visita de Xi à Casa Branca em mais de uma década, e trouxe uma curiosidade linguística: os dois países vão passar a chamar a tecnologia de “SI”, de superinteligência, em vez de IA, termo que Trump considera impreciso.
O que foi acordado
Segundo a Casa Branca, os líderes instituíram o Diálogo Estados Unidos-China sobre Superinteligência, espaço para trocar opiniões sobre riscos e benefícios da tecnologia, e concordaram em criar um canal de comunicação bilateral para incidentes. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, propôs a ideia nas negociações preparatórias com o vice-premiê chinês He Lifeng, com o objetivo de notificar incidentes de segurança nacional ligados ao setor. A próxima reunião do diálogo está prevista para novembro, durante a cúpula da APEC em Shenzhen, na China.
Por que o nome mudou para “SI”
A troca de nome parte de Trump. Depois de anunciar a mudança na Assembleia Geral da ONU, o presidente instruiu funcionários do Departamento de Estado a usar o novo termo, e a Casa Branca informou que documentos oficiais vão adotar “SI” por considerá-lo mais preciso. Segundo Trump, Xi “pareceu gostar” da ideia de renomear a inteligência artificial durante o encontro, embora o próprio Xi não tenha usado o termo em suas falas públicas na cúpula.
Discursos diferentes sobre o mesmo tema
Antes do encontro, Trump disse que a IA seria um grande tema de discussão, mas afirmou preferir “deixá-la exatamente onde está”, numa referência a manter o ritmo atual de desenvolvimento sem novas amarras. Xi adotou tom mais cauteloso, defendeu que a IA permaneça sempre sob controle humano e citou a chamada armadilha de Tucídides, teoria sobre como a rivalidade entre uma potência estabelecida e uma em ascensão pode levar a conflitos, para defender diálogo e mecanismos de gestão de crises entre os dois países.
Grandes nomes da IA acompanharam a visita
A cúpula reuniu executivos de peso do setor, como Sam Altman, da OpenAI, Jensen Huang, da Nvidia, Sundar Pichai, do Google, além de Elon Musk e Jeff Bezos. A presença mostra o peso que a IA teve na agenda, mas, segundo balanços da imprensa internacional, o encontro não resultou em nenhum acordo amplo para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia nem em novas restrições. Controles de exportação de chips, tema sensível entre os dois países, não entraram nas conversas preparatórias.

Terceiro encontro entre os dois líderes
Este foi o terceiro encontro presencial entre Trump e Xi desde que o americano retornou ao poder, depois de reuniões em Busan, em outubro de 2025, e em Pequim, em maio deste ano. Na ocasião, os dois também avançaram em outros temas, como comércio, energia e pedágios em vias navegáveis internacionais. Busan marcou a primeira conversa presencial entre os dois desde 2019, num período de forte tensão comercial entre as potências.
O que ainda não está claro
Apesar do anúncio, não há detalhes públicos sobre como o canal de comunicação vai funcionar na prática, quem vai operá-lo dos dois lados nem que tipo de incidente aciona um alerta. Também não ficou definido se a mudança de nome para “SI” será adotada apenas pelos governos ou se vai se espalhar para o uso comum do termo. A reunião de novembro, em Shenzhen, deve trazer mais clareza sobre como o diálogo vai funcionar na prática e se realmente vai reduzir tensões entre as duas maiores potências de IA do mundo.