
Depois de meses de rumores e um verdadeiro suspense de bastidores digno dos próprios jogos de Hideo Kojima, o mistério em torno do futuro de Physint finalmente começou a se resolver, e o desfecho não é nada tranquilo para os fãs do diretor. A Kojima Productions perdeu o acesso à Decima Engine, motor gráfico usado em Death Stranding e Death Stranding 2: On the Beach, depois do rompimento com a Sony. O projeto agora segue adiante, mas com a Xbox como nova parceira.
Como começou a treta entre Kojima e a Sony
A crise não é recente. Em meados de junho de 2026, a Sony notificou a Kojima Productions de que estava se afastando da produção de Physint, um projeto de ação e espionagem anunciado em 2024 e pensado como algo transmídia, misturando videogame com produção cinematográfica. Segundo apurações posteriores, a decisão veio em meio a atrasos no cronograma, orçamento crescente e um ambiente mais rígido de controle financeiro dentro da PlayStation Studios, reflexo direto do fracasso comercial de Concord, cancelado pela Sony pouco antes.
A PlayStation confirmou o afastamento publicamente em um comunicado cordial nas redes sociais, reforçando “grande admiração” pelo trabalho de Kojima e destacando as “três décadas de cooperação criativa” entre as partes, mas sem detalhar os motivos reais por trás da ruptura.

Xbox assume o projeto, mas o motor gráfico ficou para trás
Depois de cerca de três meses buscando um novo parceiro, a Kojima Productions anunciou em setembro que a Xbox assumiu a publicação de Physint. O jogo segue vivo, mas o problema é que ele não vai junto com a tecnologia que o sustentava até agora. Segundo reportagem do jornalista Paul Tassi, da Forbes, a saída da Sony também significa a perda do acesso à Decima Engine, motor desenvolvido pela Guerrilla Games, estúdio interno da PlayStation.
A Decima é a mesma engine por trás da dupla de Death Stranding, e a Kojima Productions ajudou diretamente a aperfeiçoá-la ao longo dos anos, com customizações profundas feitas em conjunto com a Guerrilla desde 2016. O problema é que, apesar do trabalho conjunto, os direitos do código-fonte sempre pertenceram integralmente à Sony, o que deixa a Kojima Productions de mãos vazias nesse quesito agora que o vínculo foi rompido.
O que isso significa para o desenvolvimento do jogo
Na prática, tudo indica que Physint vai precisar migrar para outro motor gráfico, provavelmente a Unreal Engine 5, a mesma que já está sendo usada no projeto de terror OD, também da Kojima Productions. O problema é que trocar de engine no meio do desenvolvimento não é como trocar de roupa: todo o trabalho técnico já feito em cima dos sistemas específicos da Decima, física, streaming de mundo aberto, ferramentas de construção de cenário, precisa ser praticamente refeito do zero.
Analistas da indústria já apontam que essa transição deve adicionar tempo e custo extra ao projeto, empurrando ainda mais para frente um lançamento que já não tinha data prevista. Além da engine, a Kojima Productions também perdeu acesso a recursos da Sony Pictures e da Columbia Pictures, que seriam usados nas sequências cinematográficas do jogo, outro pilar da proposta transmídia original de Physint.

Um round a mais na novela Kojima x Sony
A relação entre Hideo Kojima e a Sony já foi marcada por altos e baixos ao longo dos anos, mas o caso Physint reforça que, mesmo com décadas de parceria e sucessos como a franquia Death Stranding, questões de orçamento e prazo continuam pesando mais do que nostalgia na hora de decidir o destino de um projeto. Resta saber se a Xbox vai dar à Kojima Productions o fôlego criativo e financeiro que a Sony decidiu não bancar mais, e como o estúdio vai lidar com essa reconstrução técnica praticamente do zero.