
A Paramount Skydance chegou a um acordo com a Califórnia e outros 11 estados dos Estados Unidos que haviam entrado na Justiça para tentar barrar a aquisição da Warner Bros. Discovery, avaliada em cerca de US$ 110 bilhões. O entendimento derruba um dos principais obstáculos legais que ainda travavam o negócio e coloca a fusão nos trilhos finais, com previsão de conclusão no começo de outubro. Se concretizada, a operação será uma das maiores já vistas na história da indústria de mídia e entretenimento.
O que aconteceu
Uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais, liderada por Rob Bonta, da Califórnia, havia processado a Paramount em julho por questões antitruste, alegando que a fusão poderia reduzir a concorrência no setor de streaming e mídia. O impasse foi resolvido nesta segunda-feira (21), em uma coletiva de imprensa em Los Angeles. Bonta deixou claro que o acordo “não representa um voto de apoio a esta fusão”, mas encerra a disputa jurídica que se arrastava desde então. Já David Ellison, CEO da Paramount, afirmou que a empresa agora tem “autorização completa” para fechar o negócio, encerrando meses de incerteza sobre o futuro da operação.

Compromissos que a Paramount assumiu
Para destravar o acordo, a Paramount aceitou uma série de condições. A empresa terá que lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas e investir cerca de US$ 300 milhões adicionais anualmente em produções dentro dos Estados Unidos, além de discutir um aporte de US$ 1,5 bilhão especificamente em produções na Califórnia. Também será criado um fundo de US$ 47,5 milhões, distribuído ao longo de cinco anos, voltado ao treinamento e desenvolvimento de trabalhadores afetados pela integração das duas empresas, um dos pontos mais sensíveis durante as negociações com os estados.
Outro ponto importante é a criação de um conselho de independência editorial para supervisionar a CBS News e a CNN, que pertence à Warner Bros. Discovery. Esse conselho precisa ser formado em até 180 dias após a conclusão da fusão, como forma de garantir que o jornalismo das duas emissoras continue operando sem interferência direta da nova gestão, especialmente em um momento de forte polarização política nos Estados Unidos.
O que muda para CNN, HBO e o catálogo de filmes
Se concluída, a fusão vai reunir sob o mesmo grupo nomes como Paramount Pictures, CBS, Paramount+, Warner Bros., HBO e CNN, formando um dos maiores conglomerados de mídia e entretenimento do mundo, com um catálogo gigantesco de filmes, séries e franquias conhecidas do público. A operação também inclui os estúdios de games da Warner Bros., como NetherRealm, Rocksteady, TT Games e Avalanche Software, embora a Paramount ainda não tenha detalhado planos específicos para esse setor, mesmo já tendo criado recentemente o Paramount Games Studio, sinal de que a empresa quer expandir sua presença no mercado de videogames.

Reação do Sindicato dos Roteiristas
Nem todo mundo está satisfeito com o desfecho. O Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos (WGA) afirmou que continua acreditando que a fusão “causará danos aos roteiristas e à indústria como um todo”. Como parte do acordo, a Paramount vai pagar US$ 17,5 milhões ao fundo de saúde da entidade, cobrir despesas jurídicas e ficará proibida de demitir jornalistas da área editorial da CBS News pelos próximos cinco anos, uma tentativa de amenizar o impacto da fusão sobre os profissionais da área.
Quando a fusão deve ser concluída
Segundo fontes ouvidas pela imprensa internacional, Paramount e Warner esperam que o negócio entre oficialmente em vigor no início de outubro. A transação é financiada em parte por fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e de Abu Dhabi, que devem deter, juntos, pouco menos de 50% das ações da empresa combinada. Caso haja atraso na conclusão além do prazo previsto, os acionistas da Warner Bros. Discovery terão direito a uma penalidade de US$ 7 milhões por dia, o que deve pressionar ainda mais para que tudo se resolva dentro do cronograma estabelecido pelas partes envolvidas.