A disputa entre Apple e OpenAI ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, com a OpenAI respondendo publicamente às acusações de espionagem industrial feitas pela fabricante do iPhone. A troca de farpas acontece poucas semanas depois de a Apple abrir um processo judicial contra a startup por suposto roubo de segredos comerciais, marcando mais um episódio de tensão entre duas das empresas mais influentes do setor de tecnologia.
O processo da Apple
A Apple entrou com a ação no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia, acusando a OpenAI de roubar segredos sobre produtos de hardware ainda em desenvolvimento. Segundo a petição, a OpenAI teria pedido a candidatos a vagas de emprego que compartilhassem detalhes de projetos sigilosos da Apple e levassem componentes e protótipos de dispositivos para as entrevistas. A Apple também alega que um funcionário da OpenAI baixou documentos internos de um notebook da empresa e usou essas informações para contatar fornecedores e parceiros de fabricação da Maçã. Em um dos casos citados no processo, a OpenAI teria pedido a um fornecedor que demonstrasse uma técnica específica usada em componentes ainda não lançados. A ação pede indenização e uma medida liminar contra dois ex-executivos citados no processo, impedindo que eles acessem, obtenham ou divulguem informações confidenciais da Apple.

A resposta da OpenAI
Em nota diretamente ligada ao processo, a OpenAI negou interesse em segredos comerciais de rivais, afirmando estar focada em desenvolver tecnologias próprias. A empresa foi além e divulgou trocas de e-mails de advogados externos que representavam a Apple, nas quais os próprios representantes da Maçã admitem um erro de identificação: a confusão teria misturado o sobrenome de um executivo da OpenAI com o de outro funcionário, citado em uma suposta ligação telefônica que, segundo a OpenAI, nunca aconteceu. A empresa classificou o pedido de liminar preliminar da Apple como baseado em informações falsas e desnecessário, reforçando publicamente que está “muito mais interessada em construir produtos e tecnologias inovadores” do que em segredos de terceiros.
O pano de fundo da disputa
O racha ocorre num momento delicado para a relação entre as duas empresas. Apple e OpenAI fecharam parceria em 2024 para integrar o ChatGPT à Siri e a outros recursos do iPhone, mas rumores de tensão entre as companhias já circulavam antes mesmo do processo — inclusive especulações de que a OpenAI estaria preparando uma ação contra a Apple sobre os termos dessa parceria. Segundo a própria petição da Apple, porém, o acordo do ChatGPT com a Siri não é o objeto da disputa atual, que se concentra especificamente nas acusações de espionagem envolvendo produtos de hardware ainda não revelados. O caso ainda deve passar por audiências preliminares nas próximas semanas, e a expectativa é que novos documentos tornem público mais detalhes sobre a relação — cada vez mais desgastada — entre as duas gigantes da tecnologia.

Enquanto o processo avança na Justiça americana, o mercado observa de perto os desdobramentos: uma condenação da OpenAI poderia abrir precedente para outras big techs reforçarem barreiras contra concorrentes que recrutam talentos em áreas sensíveis de hardware. Por ora, nenhuma das duas empresas sinalizou disposição para um acordo extrajudicial, e a expectativa é que o caso só ganhe um desfecho concreto nos próximos meses, à medida que novas provas forem apresentadas em tribunal.