
A Nvidia anunciou que a SpaceXAI vai adotar os novos chips Vera para acelerar workloads de inteligência artificial agêntica e o anúncio vai muito além da Terra. A parceria prevê expandir a arquitetura Vera Rubin, já usada nos data centers terrestres da empresa, para operações em órbita, incluindo o primeiro satélite de inteligência artificial da companhia, batizado de Starmind.
Segundo a Nvidia, o chip Vera foi desenvolvido especificamente para dar suporte a agentes de IA que tomam ações de forma autônoma, e não apenas geram respostas em texto. Ele conta com 88 núcleos Olympus e memória LPDDR5X com banda de até 1,2 TB/s, permitindo, segundo a empresa, uma conclusão de tarefas até 1,8 vez mais rápida em comparação com processadores x86 tradicionais.

Da Terra para a órbita
De acordo com Mike Nicolls, presidente da SpaceXAI, o Vera vai liberar a capacidade de processamento das GPUs para o que elas fazem de melhor, enquanto os novos CPUs assumem tarefas de orquestração, execução de código e processamento de dados em grande escala. Na prática, isso significa mais eficiência para rodar os workloads que sustentam o Grok, o sistema de inteligência artificial da xAI, empresa também ligada a Elon Musk.
O movimento não é isolado. Em declaração recente durante uma teleconferência de resultados da SpaceX, Musk já havia afirmado que a empresa passaria a construir toda sua infraestrutura futura de inteligência artificial exclusivamente sobre hardware da Nvidia, chamando a arquitetura Vera Rubin de “a melhor disponível no mercado” atualmente. A escolha reforça a posição da Nvidia como fornecedora dominante de chips para IA, mesmo em meio à disputa acirrada por capacidade computacional entre as principais empresas de tecnologia do mundo.

Computação espacial: um novo território para a Nvidia
O anúncio faz parte de uma estratégia mais ampla da Nvidia batizada de “Space Computing”, que já vinha sendo desenvolvida desde o início do ano. A proposta é levar o desempenho de nível de data center para ambientes com restrições severas de tamanho, peso e consumo de energia — justamente os desafios enfrentados por equipamentos que operam em órbita.
Além da SpaceXAI, outras empresas do setor espacial, como Axiom Space e Planet Labs, também já utilizam as plataformas de computação acelerada da Nvidia para dar suporte a missões espaciais de nova geração, que vão desde inteligência geoespacial até operações autônomas em satélites. Segundo a Nvidia, a GPU Rubin embarcada nesses módulos oferece até 25 vezes mais capacidade de inferência de IA em comparação com a geração anterior da própria empresa.
Com a chegada do satélite Starmind, a SpaceXAI se torna uma das primeiras empresas a colocar inteligência artificial agêntica de ponta operando diretamente em órbita — um passo que pode se tornar cada vez mais comum à medida que a demanda por processamento de dados em tempo real no espaço aumenta, seja para comunicação, monitoramento ambiental ou operações de defesa e exploração espacial.