
Depois de anos colecionando elogios com a franquia Spider-Man, a Insomniac Games tropeçou feio. Marvel’s Wolverine, o novo exclusivo de PS5 do estúdio, chegou ao mercado com nota agregada de 77 no Metacritic, o pior resultado de um jogo original da desenvolvedora desde 2016, quando ela lançou o pequeno Song of the Deep. Para quem esperava outro sucesso estrondoso no estilo Homem-Aranha, a recepção morna caiu como um balde de água fria.
Bom, mas nunca memorável
O consenso entre a crítica especializada não é de que o jogo seja ruim, e sim de que ele fica devendo. O jornalista Leon, do site GamesRadar, resumiu bem o sentimento geral ao afirmar que o jogo nunca chega a decepcionar de forma grave, mas também nunca dá a impressão de estar entregando o jogo que Wolverine merecia. gamevicio
O combate é elogiado, assim como as atuações dos personagens principais, mas a narrativa nunca encontra coesão de verdade, e o escopo do jogo é considerado bem mais enxuto do que o padrão dos exclusivos recentes da Sony. Um detalhe que resume bem o problema: na demonstração de 2 horas mostrada antes do lançamento, o jogo parecia empolgante, mas quem terminou a campanha completa, de 10 a 15 horas, percebeu que aquelas duas horas já mostravam praticamente tudo que o título tinha a oferecer.

Quick Time Events viram piada entre os jogadores
Se o roteiro e o ritmo já estavam sob fogo cruzado, os jogadores encontraram mais um motivo para tirar sarro do lançamento. Segundo relatos que circularam nas redes, os QTEs (aquelas sequências em que é preciso apertar um botão específico no momento certo) do jogo praticamente não podem ser perdidos, já que o sistema aceita qualquer botão pressionado durante a sequência. Ou seja, dá para “acertar” o QTE sem nem saber qual botão apertar, o que rendeu memes rápidos sobre a real utilidade da mecânica no jogo.
Não é o tipo de detalhe que derruba uma experiência sozinho, mas, somado à crítica sobre o escopo limitado e à narrativa que não engrena, virou mais um item na lista de “por que Wolverine não empolgou tanto quanto deveria”.
Um tropeço em momento delicado para o PS5
O timing não podia ser pior para a Sony. O PS5 hoje é um dos últimos grandes redutos de jogos single-player triple-A no mercado, mas os lançamentos first-party da plataforma raramente passam de dois por ano. Quando um desses poucos títulos não entrega o esperado, o impacto reverbera com força desproporcional em todo o ecossistema de exclusivos.
Vale lembrar que a nota de 77 pode variar um pouco conforme mais reviews forem publicadas, mas o cenário atual já é suficiente para classificar Marvel’s Wolverine como uma oportunidade perdida, não exatamente um desastre, mas bem longe do hit que a Sony precisava para reforçar sua atual lista de exclusivos do PS5.
Resta saber se Wolverine vai conseguir se recuperar no boca a boca dos jogadores nas próximas semanas, ou se vai ficar marcado como mais um capítulo da fase irregular que a Insomniac vive fora do universo do Homem-Aranha.