Marvel Tōkon: Fighting Souls, o novo jogo de luta em estilo anime da Arc System Works que coloca heróis da Marvel em confronto direto, não teve uma estreia tranquila na versão de PC. Os problemas já vinham sendo notados desde a fase de beta aberta, semanas antes do lançamento oficial, e parecem ter afetado diretamente a recepção do público na plataforma da Valve.
O jogo chegou ao mercado com grande expectativa por trazer a assinatura visual da Arc System Works — mesmo estúdio por trás de séries de luta bastante respeitadas — aplicada ao universo de heróis e vilões da Marvel. No papel, a combinação parecia certeira. Na prática, no entanto, a experiência no PC ficou marcada por instabilidade e reclamações recorrentes logo nas primeiras horas de lançamento.

Números do lançamento ficam abaixo do esperado
No dia da estreia, o título registrou um pico de 24.498 jogadores simultâneos no Steam — pouco mais da metade do recorde alcançado por Dragon Ball FighterZ, outro jogo da própria Arc System Works, que chegou a 44.303 jogadores simultâneos em seu lançamento, em 2018. A comparação é natural: ambos os títulos vêm do mesmo estúdio e miram um público parecido de fãs de jogos de luta e de cultura pop.
O fato de Tōkon também estar disponível no PlayStation 5 ajuda a explicar parte dessa diferença, já que uma fatia considerável do público pode ter optado pelo console em vez do computador. Ainda assim, o número de avaliações negativas na página do jogo na Steam sugere que a queda de desempenho no PC pesou na recepção geral, indo além de uma simples divisão natural de plataformas.
Problemas que já apareciam desde a beta aberta
Desde o teste aberto realizado no mês anterior ao lançamento, jogadores já reportavam que o game era surpreendentemente pesado para rodar em PC, mesmo em máquinas com configurações relativamente robustas. Parte da comunidade especula que essa exigência de desempenho possa estar ligada à necessidade de login na PlayStation Network, sistema que faria o jogo rodar processos adicionais em segundo plano, consumindo mais memória e poder de processamento do que o esperado para um título do gênero.

Testes independentes conduzidos durante a fase de beta chegaram a registrar uso de até 95% do processador e cerca de 5 GB de memória RAM em determinados momentos de partida. Outro ponto chamou atenção: o jogo abria automaticamente seis instâncias separadas do aplicativo PlayStation PC SDK Runtime logo ao ser iniciado — comportamento que, segundo os próprios testes, tinha impacto relativamente pequeno no desempenho final, mas reforçou a percepção de que a integração entre PC e ecossistema PlayStation ainda não estava bem resolvida.
Lançamento completo não resolveu os problemas
Duas semanas depois da fase de testes, já com o jogo totalmente disponível ao público, os problemas de desempenho parecem não ter melhorado de forma significativa. Usuários de Linux relatam dificuldades ainda maiores para manter o título estável, com quedas de quadros e travamentos mais frequentes do que os relatados por jogadores de Windows.
Avaliações publicadas na Steam resumem bem o clima entre parte da comunidade, classificando a otimização do jogo como ruim e recomendando que outros interessados aguardem uma correção antes de comprar — mesmo reconhecendo, em boa parte dos casos, que a experiência de combate em si é divertida e fiel ao estilo visual esperado de um jogo de luta da Arc System Works.
Na manhã seguinte ao lançamento, a Arc System Works publicou um comunicado agradecendo aos fãs pela recepção no primeiro dia e confirmando estar ciente dos relatos de problemas de desempenho na versão de PC. A empresa afirmou estar investigando ativamente os casos reportados, mas não detalhou quais falhas específicas estão sendo analisadas nem estimou um prazo para eventuais correções.
Nem todo mundo teve problemas
Vale ressaltar que a experiência não foi ruim para todos os jogadores de PC: parte deles relata não ter enfrentado nenhuma dificuldade técnica, o que sugere uma variação considerável dependendo da configuração de cada máquina, dos drivers instalados e até do sistema operacional utilizado.

Já quem optou pelo PlayStation 5 parece ter tido uma experiência mais estável — os relatos de jogadores de console apontam apenas picos ocasionais de lag em partidas online, sem os mesmos problemas de desempenho registrados na versão para computador. Com o jogo já nas mãos do público geral, resta à Arc System Works transformar a investigação anunciada em correções concretas. Enquanto isso não acontece, a recomendação que circula entre os próprios jogadores é clara: quem tem PC modesto ou roda o game em Linux talvez prefira esperar os primeiros patches antes de mergulhar nas batalhas entre heróis Marvel.