A Arc System Works e a Sony vão presentear os fãs de jogos de luta com um fim de semana inteiro de pancadaria gratuita. O beta aberto de Marvel Tokon: Fighting Souls acontece de sexta-feira (24/07) a domingo (26/07), disponível para PS5, Steam e Epic Games Store — sem necessidade de assinatura do PS Plus ou qualquer tipo de registro prévio.
A grande novidade da versão de testes é a estreia de Blade, o Caçador de Vampiros, como personagem jogável. E o momento não podia ser mais simbólico: a Marvel não tinha um grande jogo de luta em equipes desde 2017, quando Marvel vs. Capcom: Infinite chegou às lojas em meio a uma recepção morna. Quase uma década depois, a franquia volta ao gênero com um estúdio que hoje é sinônimo de qualidade em jogos de luta.
O peso do nome Arc System Works
Não é exagero dizer que a escolha do estúdio é a maior garantia de qualidade que Marvel Tokon poderia ter. A Arc System Works passou os últimos anos entregando Dragon Ball FighterZ e Guilty Gear Strive, dois títulos frequentemente citados entre os melhores jogos de luta da década, tanto pela jogabilidade refinada quanto pelo trabalho visual — a assinatura de animação em cel-shading do estúdio virou referência no gênero.
Isso muda a expectativa em torno do projeto. Diferente de tentativas anteriores de jogos de luta com licenças de heróis, que muitas vezes priorizavam o fan service em detrimento da profundidade mecânica, a Arc System Works tem histórico de equilibrar as duas coisas: personagens carismáticos e sistemas de combate que sobrevivem anos em cena competitiva. Marvel Tokon chega com a папel de repetir essa fórmula, agora usando o universo Marvel como base.
O que o beta oferece
O teste cobre uma janela de 72 horas completas, com pré-download liberado duas horas antes do início. O único requisito, tanto no PS5 quanto no PC, é conexão à internet e uma conta PlayStation — obrigatória até na versão para computador.
Um destaque técnico importante: o beta conta com crossplay entre PS5 e PC, o que unifica a base de jogadores e mantém as filas curtas durante o teste, algo essencial em uma janela de apenas três dias. A Sony também oferece suporte de voz e texto em dez idiomas, além de texto em outros sete, reforçando a aposta em um lançamento verdadeiramente global.
Os 15 personagens liberados
Do elenco de lançamento com 20 lutadores, 15 estarão disponíveis no beta, divididos em cinco equipes temáticas:
- Vingadores em Combate — Capitão América, Homem de Ferro e Pantera Negra formam o time mais “clássico” do jogo, reunindo os rostos mais reconhecíveis do MCU
- Indestrutíveis X-Men — Tempestade, Magik, Wolverine e Danger trazem um mix de poderes elementais, magia e combate corpo a corpo
- Amazing Guardians — Homem-Aranha, Ms. Marvel, Senhor das Estrelas e Peni Parker apostam em mobilidade e golpes tecnológicos
- Samurai Outriders — Motoqueiro Fantasma e Blade formam a dupla mais sombria do elenco, com estética gótica e combate agressivo
- Cavaleiros do Destino — Doutor Destino e Magneto representam o lado vilanesco, com foco em controle de área e poder bruto
Elenco vai além dos nomes óbvios
O jogo aposta em escolhas que vão além dos heróis mais famosos, e isso é um dos pontos mais interessantes do elenco. Danger, a inteligência artificial da Sala do Perigo da Mansão X que ganhou corpo próprio, é a aposta mais nichada — criada por Joss Whedon e John Cassaday em 2005, na aclamada fase Astonishing X-Men. Sua presença num jogo mainstream é um aceno claro aos fãs mais antigos dos quadrinhos.
Já Peni Parker, piloto do robô SP//dr, nasceu nos quadrinhos do Aranhaverso em 2014, criada por Gerard Way — sim, o vocalista do My Chemical Romance, que também é roteirista de HQs — bem antes de a personagem virar febre mundial com a animação Homem-Aranha no Aranhaverso. É um elenco que claramente foi pensado por gente que lê os gibis, não só assiste aos filmes.
Blade: o herói que os cinemas não conseguem lançar
A presença de Blade jogável ganha uma camada extra de significado quando se olha para a trajetória do personagem fora dos games. O reboot estrelado por Mahershala Ali foi anunciado ainda em 2019, na San Diego Comic-Con, com grande expectativa dos fãs. Desde então, o projeto enfrenta o que muitos descrevem como um verdadeiro pesadelo de produção: trocas sucessivas de roteiristas e diretores, reescritas completas de roteiro e adiamentos que já se arrastam por anos, sem data de estreia confirmada.
Enquanto o filme segue em limbo na Marvel Studios, o personagem — criado por Marv Wolfman e Gene Colan em 1973, nas páginas de The Tomb of Dracula — segue vivo em outras mídias. Foi nos cinemas, em 1998, que Blade ganhou seu momento mais icônico, com Wesley Snipes no papel principal em um filme hoje visto como um dos responsáveis por pavimentar o caminho para a era moderna dos filmes de super-heróis, décadas antes do MCU. A comparação entre a era Snipes e a tentativa (ainda não concretizada) com Mahershala Ali só reforça o quanto o personagem carrega peso histórico no gênero.
Colocar Blade ao lado do Motoqueiro Fantasma na equipe Samurai Outriders parece uma resposta direta ao pedido antigo dos fãs: um showcase de lâminas, correntes e estética sombria, livre das amarras de qualquer adaptação cinematográfica.
Conteúdo disponível no teste
A lista de recursos do beta é generosa para uma versão de testes. Há partidas online casuais e ranqueadas, além de versus local, modo treino e um tutorial voltado a quem nunca jogou títulos de luta em equipe. O modo história também entra, cobrindo os três primeiros capítulos da campanha dos Amazing Guardians — o suficiente para dar uma ideia do tom narrativo do jogo completo.
Seis cenários estarão liberados: Knowhere, a Terra Selvagem, Wakanda, a Mansão X e a Nova York da Marvel, esta última em versões diurna e noturna. As lobbies abertas ainda permitem socializar entre as lutas, com avatares personalizáveis em diferentes cores — um detalhe que mostra a preocupação do estúdio em criar uma comunidade em torno do jogo, não só uma sala de espera.

Vale a pena baixar?
O jogo completo chega em 6 de agosto, para PS5 e PC, com todos os 20 lutadores disponíveis. Oferecer um beta praticamente completo tão perto do lançamento é uma jogada dupla: serve como teste de estresse real para os servidores e, ao mesmo tempo, funciona como demonstração de confiança da desenvolvedora no produto final.
Comparado a outros betas recentes de jogos de luta — que costumam liberar poucos personagens e cenários travados — a generosidade aqui chama atenção. Com 15 dos 20 lutadores, seis cenários e até o início do modo história liberados, dá pra ter uma noção bem completa do que o jogo final vai oferecer, não só um gostinho superficial.
Para o fã brasileiro, o recado é simples: como é de graça e sem burocracia de registro, vale a pena instalar e aproveitar essas 72 horas para descobrir se Marvel Tokon merece um lugar fixo na rotina — especialmente pra quem sente falta de um bom jogo de luta em equipes desde os tempos de Marvel vs. Capcom.