Um grupo de veículos de imprensa dos Estados Unidos, incluindo o New York Times, o New York Daily News e o Chicago Tribune, pediu à Justiça americana a aplicação de “sanções severas” contra a OpenAI. A acusação é grave: a empresa teria destruído provas e escondido deliberadamente sua capacidade de rastrear textos jornalísticos copiados dentro dos dados de treinamento do ChatGPT.
O pedido foi apresentado em um tribunal federal de Manhattan como parte de um processo por violação de direitos autorais que já dura mais de dois anos e que também tem a Microsoft como ré.
Uma testemunha que mudou o rumo do processo
Segundo os documentos, um perito técnico contratado pela própria OpenAI admitiu, em depoimento realizado em abril, que a empresa vinha misrepresentando suas capacidades tecnológicas ao longo de todo o litígio. Entre as alegações mais sérias está a destruição de milhões de históricos de conversas do ChatGPT — dados que, segundo os advogados dos jornais, seriam evidências centrais para provar que o modelo foi treinado com reportagens protegidas por direitos autorais.
Advogados que representam o Daily News e outros títulos do grupo Tribune Publishing afirmam que, por dois anos, a OpenAI fez declarações falsas ao tribunal sobre sua real capacidade de buscar conteúdo protegido dentro dos próprios registros de treinamento e de saída do modelo. O pedido de sanções inclui ressarcimento dos custos legais gastos para obter provas que, segundo a acusação, foram indevidamente retidas.
Uma conta bilionária para a indústria da IA
O caso se soma a uma onda de processos que colocam as gigantes de inteligência artificial sob pressão financeira crescente. Em um acordo separado, uma concorrente da OpenAI já pagou 1,5 bilhão de dólares a autores de livros por ter treinado seu chatbot com obras protegidas sem autorização — hoje considerado o maior acordo do tipo já fechado no setor. Só o New York Times já gastou mais de 28 milhões de dólares em despesas judiciais nessa disputa específica.

O que está em jogo
O pano de fundo da disputa é o encolhimento da receita publicitária dos veículos tradicionais desde que ferramentas de IA passaram a resumir notícias diretamente nos resultados de busca, reduzindo os cliques para as fontes originais. Ao mesmo tempo, cresce o número de empresas de mídia que preferem fechar acordos de licenciamento com empresas de IA em vez de recorrer à Justiça — um caminho que a OpenAI e o Google já vêm adotando com outros parceiros.
O desfecho desse processo específico pode se tornar um precedente importante: se o tribunal aceitar o pedido de sanções, isso pode facilitar vitórias de outros veículos e autores em disputas semelhantes, além de expor com mais transparência como, de fato, os grandes modelos de linguagem são treinados.
A OpenAI ainda não se pronunciou publicamente sobre as acusações mais recentes.

À medida que o volume de processos contra empresas de IA cresce, fica cada vez mais claro que a forma como esses modelos são treinados vai continuar sendo alvo de escrutínio judicial — e o resultado desse caso pode moldar como toda a indústria lida com conteúdo protegido dali para frente.