IA assume papel geopolítico: CEOs da OpenAI, Anthropic e Google se sentam com líderes mundiais no G7
Na última quarta-feira (17), algo inédito aconteceu na história da tecnologia. Pela primeira vez, os responsáveis pelos maiores laboratórios de IA do mundo se sentaram formalmente à mesa dos líderes das principais economias para discutir infraestrutura, segurança, regulação e os riscos estratégicos da tecnologia.
O encontro aconteceu durante a cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, e marca um novo capítulo na ascensão política da inteligência artificial.
Quem estava na mesa
Sam Altman, da OpenAI, Dario Amodei, da Anthropic, e Demis Hassabis, do Google DeepMind, integram o grupo de líderes do setor de tecnologia convidados para um almoço na cúpula. Também confirmados para o encontro estiveram Arthur Mensch, da francesa Mistral, Aidan Gomez, da canadense Cohere, Victor Riparbelli, da britânica Synthesia, além de Marc Benioff, da Salesforce, e Alex Wang, da Meta.
Do lado dos governos, o presidente Donald Trump, o secretário do Tesouro Scott Bessent, o secretário de Comércio Howard Lutnik e o secretário de Estado Marco Rubio representaram os Estados Unidos.
O que estava em pauta
No almoço de trabalho a portas fechadas, os CEOs de Anthropic, Google DeepMind, OpenAI e Mistral não foram à mesa pedir licença para operar. Foram propor as regras de governança da inteligência artificial e tentar que os próprios países desenvolvidos as adotassem. O movimento é mais ambicioso do que o lobby tradicional — as empresas não estão pleiteando uma exceção dentro da regra. Elas querem escrever a regra.
Além da governança, riscos de IA de fronteira, infraestrutura, soberania e a proteção de crianças online também estiveram na agenda, segundo informações do Palácio do Eliseu.
O pano de fundo: modelos poderosos demais
A reunião acontece num momento de tensão crescente. Anúncios recentes de modelos potentes de IA com capacidades cibernéticas avançadas, incluindo o Mythos da Anthropic e o GPT-5.5 Cyber da OpenAI, trouxeram uma onda de preocupações de empresas e governos em relação a vulnerabilidades na segurança digital.
A situação ficou ainda mais delicada quando a Anthropic desativou o acesso aos seus modelos Fable 5 e Mythos 5 após o governo dos EUA impor controles de exportação, citando preocupações de segurança nacional.
O que isso significa para o mundo
O encontro do G7 deixou claro que a inteligência artificial deixou de ser apenas um tema de tecnologia para se tornar uma questão de política global. Governos precisam das empresas de IA para entender a tecnologia. As empresas precisam dos governos para operar em escala global. E quem conseguir equilibrar esse poder vai definir as regras do jogo para os próximos anos.
Para o Brasil, que ainda tenta estruturar sua política de IA com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e R$ 23 bilhões previstos até 2028, acompanhar de perto o que foi decidido em Évian é fundamental — as regras criadas no G7 tendem a influenciar regulações em todo o mundo, inclusive por aqui
