
O Google começou a testar nesta quinta-feira (24) o “Call for Me”, um recurso do Gemini que liga para empresas em nome do usuário. O experimento é restrito a donos do Pixel 11 nos Estados Unidos que pagam pela assinatura do Gemini. A proposta é simples: em vez de discar, esperar na linha e enfrentar menus automáticos, basta pedir ao assistente que resolva a ligação.
Como funciona o Call for Me do Gemini
O processo começa no app do Gemini, no próprio Pixel. O usuário pede que o assistente faça a ligação, e o Gemini pode fazer perguntas de esclarecimento antes de discar. Quando o estabelecimento atende, o assistente se identifica, navega pelos menus automáticos, espera na linha e conversa com a pessoa do outro lado.
A chamada sai do número do próprio usuário e cobre tarefas como reservar uma mesa em um restaurante, consultar se um produto está em estoque, remarcar um horário ou pedir que um item seja separado. Se o estabelecimento não puder atender ao pedido, o Google diz que o Gemini encerra a ligação de forma educada.
O que muda em relação aos recursos anteriores
O Google já oferecia ferramentas de ligação assistida, como o “Ask for Me” e o “Hold for Me”. O “Ask for Me” servia apenas para consultar preços e serviços, sem compartilhar dados pessoais. Já o “Hold for Me”, lançado em 2020, esperava na linha pelo usuário, numa época em que o Google dizia que os americanos passavam mais de 10 milhões de horas por semana em espera com empresas.
A novidade agora é que o Gemini pode compartilhar informações pessoais que o usuário aprovar durante a chamada. Isso faz diferença porque remarcar uma consulta ou segurar um produto costuma exigir um nome, um detalhe de agendamento ou um número de pedido. Na prática, o assistente deixa de ser apenas um consultor de informações e passa a concluir o serviço.

Controle e transparência para o usuário
O usuário acompanha tudo por uma transcrição em tempo real e pode assumir a ligação a qualquer momento. O Google também afirma que cada chamada começa com o aviso de que se trata de um sistema automatizado ligando em nome de um cliente. O cuidado é importante porque a empresa já enfrentou críticas anos atrás por uma demonstração em que uma voz artificial imitava a fala humana, com direito a hesitações como “hum” e “ahn”, o que levou o Google a determinar que o assistente se identifique como robô.
Quem pode usar e quais são as limitações
O teste tem regras bem restritas. O recurso está disponível apenas em inglês, para donos do Pixel 11 nos Estados Unidos que assinam o Gemini e participam do beta do app Telefone do Google. O Google classifica o Call for Me como um “experimento inicial” e diz que começa em pequena escala porque as conversas reais são cheias de nuances e a empresa precisa de tempo para acertar antes de ampliar o alcance. Não há previsão divulgada de chegada ao Brasil.
Privacidade e impacto para as empresas
A novidade também levanta questões. Como as chamadas podem envolver nomes, endereços, detalhes de agendamento, números de pedido e até dados de saúde, especialistas apontam que as transcrições podem se tornar registros sensíveis. Práticas como logs de auditoria e minimização de dados costumam ser vistas como essenciais nesse tipo de serviço.
Há ainda o efeito sobre os estabelecimentos. Se muitos consumidores passarem a usar IA para checar preços, estoque e horários, pequenos comércios que dependem de uma única pessoa atendendo ao telefone podem receber mais ligações do que conseguem responder, já que iniciar uma chamada ficou mais fácil do que atendê-la.

O movimento do Google acontece em meio a uma corrida por agentes de IA que agem em nome do usuário. A Meta, por exemplo, também já permite que agentes como o Muse façam ligações. Resta saber se os consumidores vão confiar a um assistente tarefas que exigem dados pessoais, e como as empresas vão reagir a atendimentos feitos por máquinas. O teste do Pixel 11 deve servir de termômetro para os próximos passos.