Menos de dois meses depois de lançar o game oficial da Copa do Mundo de 2026 na Netflix, a desenvolvedora Refactor Games demitiu 85% da sua equipe em um único dia. O caso reacende o debate sobre a fragilidade dos estúdios que dependem de financiamento externo em modelos de publicação compartilhada.
Um lançamento badalado, um fim abrupto
O “FIFA World Cup: Launch Edition” estreou no catálogo do Netflix Games em 11 de junho de 2026, no mesmo dia da abertura do torneio masculino, permitindo que assinantes jogassem na TV usando o celular como controle. O título reunia as 48 seleções classificadas, mais de 1.200 jogadores licenciados e os 16 estádios-sede da competição — um projeto ambicioso para os padrões do serviço de jogos da Netflix.

Só que a recepção da crítica foi dura, com queixas recorrentes sobre os controles, os gráficos e a inteligência artificial dos jogadores dentro de campo. Oito semanas depois — e sem nenhum tipo de aviso prévio, segundo ex-funcionários — a Delphi Interactive, publicadora e coproprietária do estúdio, cortou o financiamento imediatamente após o lançamento. Cerca de 80 pessoas foram demitidas em uma única reunião geral, sem direito a nenhum tipo de indenização adicional.
O relato de quem ficou de fora
Diversos ex-funcionários da Refactor Games foram ao LinkedIn relatar a situação. Um diretor de arte do projeto escreveu que a Delphi “puxou o tapete” do estúdio logo depois do lançamento do jogo e que toda a equipe foi dispensada no mesmo dia. Outros profissionais, entre designers e desenvolvedores, descreveram cenas parecidas — a notícia da demissão chegando na mesma reunião em que, para muitos, deveria ter sido uma comemoração pelo lançamento recente.

Um padrão que se repete na indústria
O caso da Refactor Games não é isolado. Cada vez mais comum na indústria de jogos é o modelo em que uma publicadora financia parcialmente um estúdio só até a entrega de um projeto específico — e corta os recursos assim que o jogo é lançado, independentemente do desempenho comercial ou da recepção crítica. Isso deixa equipes inteiras, muitas vezes formadas por profissionais experientes vindos de gigantes como EA Sports e 2K Sports, vulneráveis mesmo depois de entregar um lançamento de alto perfil.
Nem a Delphi Interactive nem a Refactor Games se pronunciaram publicamente sobre os detalhes do fechamento até o momento.

Para o mercado de jogos, o episódio serve como um alerta: shippar um título de peso, mesmo com grande exposição de marca, não garante estabilidade para quem construiu o projeto — especialmente quando publicação, financiamento e propriedade do estúdio estão divididos entre empresas diferentes.