
A expansão Super Limit-Breaking NEO, lançada em 30 de julho para Dragon Ball: Sparking! Zero, adicionou 33 lutadores e deixou o game da Bandai Namco muito perto de igualar o lendário elenco de Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi 3. Ainda assim, a façanha não foi completa: nove personagens do clássico de 2007 seguem ausentes do novo título, seja por questões técnicas, de relevância ou até de licenciamento. Relembre quem são esses guerreiros esquecidos e por que eles marcaram época na franquia de Akira Toriyama, a mais rentável da Bandai Namco.
Os 9 lutadores ausentes
Appule

Appule é um alienígena roxo que integra o exército de soldados de baixo escalão de Freeza, aparecendo durante a saga de Namekusei. Ele não tem grandes feitos em combate e sequer chega a travar uma luta digna de nota — sua função na trama é puramente decorativa, reforçando a sensação de poder avassalador de Vegeta, que o elimina sem cerimônia logo nos primeiros capítulos do arco. Apesar disso, Appule se tornou uma espécie de meme entre os fãs mais antigos, justamente por representar o arquétipo do “capanga descartável” que a franquia usa recorrentemente. Curiosamente, o novo jogo incluiu um Soldado de Freeza genérico jogável no elenco atual, mas o icônico subordinado roxo, com visual e nome próprios, segue de fora — um detalhe que frustra os fãs que gostavam de usá-lo em Budokai Tenkaichi 3 apesar de sua irrelevância na trama.
Ozaru

A transformação em macaco gigante, ou Ozaru, sempre foi um dos grandes atrativos visuais da franquia, e em Budokai Tenkaichi 3 praticamente todos os Saiyajins jogáveis tinham acesso a essa forma: Goku (na versão clássica, sem a armadura Saiyajin), Vegeta, Nappa, Raditz, Bardock, Fasha, Turles e até o Rei Vegeta. Para assumir a forma, o personagem precisa ter uma calda e olhar diretamente para uma Lua Cheia, o que provoca uma transformação descontrolada que multiplica exponencialmente o poder de luta. É uma mecânica clássica dos quadrinhos e do anime que sempre empolgou os fãs pela escala descomunal dos golpes. No jogo atual, porém, apenas o Ozaru de Vegeta sobreviveu ao corte de conteúdo. Todas as demais variações continuam de fora do elenco mesmo após a nova expansão, incluindo a versão histórica de Goku, que muitos fãs veteranos consideram uma das formas mais nostálgicas de toda a saga original.
Tao Paipai ciborgue

Tao Paipai foi apresentado como o assassino mais temido do mundo durante a saga da Red Ribbon, contratado para eliminar Goku antes que o garoto pudesse desmantelar o exército de Comandante Red. Depois de ser derrotado e dado como morto por anos, ele reaparece de forma surpreendente, resgatado pelo próprio irmão, o Mestre Tsuru, líder de uma escola rival de artes marciais. Tsuru reconstrói o corpo de Tao Paipai com partes mecânicas, transformando-o em um ciborgue movido por sede de vingança contra Goku e contra Tenshinhan, discípulo que o abandonou. Essa versão retorna no 23º Torneio de Artes Marciais, mais brutal, imprevisível e desesperada do que a original. A expansão do Sparking Zero trouxe de volta o Tao Paipai humano, mas a variante ciborgue segue ausente — uma lacuna que chama atenção, já que as duas formas conviviam tranquilamente no elenco de Budokai Tenkaichi 3 lá em 2007.
Garlic Jr. (forma base)

Garlic Jr. é o vilão do primeiro longa-metragem de Dragon Ball Z e também protagonista de uma saga exclusiva do anime, sem correspondência direta no mangá original. Ele carrega um rancor antigo contra Kami-Sama, responsável pelo exílio de seu pai, e busca vingança tomando o trono da Terra à força. Ao longo da trama, Garlic Jr. utiliza as Esferas do Dragão para conquistar a imortalidade, tornando-se um adversário praticamente impossível de derrotar por meios convencionais — só a criatividade dos heróis consegue selá-lo. Sua segunda forma, muito mais poderosa e monstruosa, está presente no elenco de Sparking! Zero. Já sua forma base, mais compacta, ágil e próxima da aparência humana, segue sem representação no jogo, o que significa que o vilão só existe atualmente em seu estado transformado.
Pilaf Machine

Os robôs pilotados pelo Imperador Pilaf, por Shu e por Mai renderam algumas das lutas mais cômicas e memoráveis de Budokai Tenkaichi 3, contrastando o tom leve do trio com combates surpreendentemente intensos. No Dragon Ball clássico, as Pilaf Machines entram em ação logo depois das disputas contra os campeões da Vovó Uranai, quando Goku está atrás de uma Esfera do Dragão que não consegue localizar por meios convencionais. Cada máquina tinha seu próprio piloto e estilo de combate, permitindo que o trio enfrentasse o protagonista lutando lado a lado.
A fusão das três máquinas

Além de lutarem separadamente, as três máquinas também podiam se unir em um único mecha combinado, muito mais resistente e poderoso do que qualquer uma delas isoladamente. Essa fusão era um dos momentos mais marcantes do confronto, elevando consideravelmente o nível de ameaça do trio dentro da história. Nenhuma das duas configurações — separada ou combinada — apareceu no elenco atual de Sparking! Zero, o que deixa a trupe atrapalhada completamente sem representação jogável.
Kibitoshin

Kibitoshin surge na reta final da saga de Majin Boo como resultado da fusão permanente entre o Kaiohshin Supremo e seu assistente Kibito, realizada por meio dos brincos Potara. Diferente de outras fusões temporárias vistas na franquia, essa combinação permaneceu ativa por um longo período depois do fim do arco, e os dois só voltaram a se separar em ocasiões bem específicas. Em Dragon Ball Daima, eles se separam ao entrar no corpo de Majin Boo, aproveitando atributos únicos daquele ambiente para reverter a fusão, de forma semelhante ao que aconteceu com Vejito em outros contextos. Já em Dragon Ball Super, a separação acontece por meio de um pedido às Esferas do Dragão de Namekusei — uma diferença que alimenta boa parte das teorias sobre Daima se passar em uma continuidade alternativa. A expansão de Sparking Zero adicionou o Kaiohshin ao elenco, mas sem a transformação em entidade fundida, que em Budokai Tenkaichi 3 funcionava como uma evolução direta e mais poderosa do personagem.
Arale

Arale é a androide mais forte e caótica de todo o universo criado por Akira Toriyama, personagem central de Dr. Slump, obra que antecede Dragon Ball e compartilha o mesmo universo ficcional. Essa conexão é confirmada ainda no Dragon Ball clássico, quando Goku vai parar na Vila Pinguim, lar de Arale e seus amigos, em meio aos eventos da saga da Red Ribbon. Criada pelo Dr. Senbee Norimaki, Arale é tecnicamente um robô, mas se comporta como uma criança humana comum, o que abre espaço para situações cômicas, absurdas e imprevisíveis sempre que ela aparece. Apesar de sua natureza mecânica, seu poder de combate é descomunal, muito acima do nível dos guerreiros “sérios” da franquia. Convidada especial em Budokai Tenkaichi 3, ela era capaz de humilhar lutadores lendários com socos de brincadeira, quase sem esforço. Sua ausência no jogo atual pode estar relacionada a questões de licenciamento, já que a personagem pertence formalmente a outra obra, mas a Bandai Namco nunca confirmou oficialmente o motivo do corte.
Chichi (criança)

Chichi é apresentada ainda criança como a pequena princesa da Montanha de Fogo, região isolada onde conhece Goku pela primeira vez. Esse encontro resulta na famosa promessa de casamento, feita de forma ingênua pelo protagonista sem entender completamente o real significado do pedido. Anos depois, já adulta, Chichi reaparece durante o 23º Torneio de Artes Marciais para cobrar formalmente a promessa, dando início a um dos relacionamentos mais importantes de toda a franquia. A expansão trouxe de volta apenas essa versão mais velha, jogável no torneio, enquanto a versão infantil, que também estava presente no elenco original de Budokai Tenkaichi 3, permanece de fora até o momento — um detalhe nostálgico que faz falta especialmente para quem acompanha a franquia desde o Dragon Ball clássico.
Tamborine

Tamborine é um dos filhos demoníacos gerados por Piccolo Daimaoh, encarregado de localizar e eliminar os lutadores de artes marciais espalhados pelo mundo antes do 23º Torneio de Artes Marciais. Ele é responsável por um dos momentos mais sombrios da fase clássica de Dragon Ball: a primeira morte de Kuririn, um evento que chocou os fãs à época e ajudou a estabelecer o tom mais pesado que a franquia adotaria dali em diante. Apesar de sua relevância narrativa, Tamborine nunca teve um desenvolvimento tão extenso quanto outros vilões da saga, funcionando mais como uma ameaça pontual do que um antagonista de longo prazo. Com o retorno de Piccolo Daimaoh confirmado na nova expansão, muitos fãs esperavam rever seu subordinado ao seu lado, o que acabou não acontecendo nesta leva de atualizações — mas a expectativa segue viva para futuras adições, possivelmente ao lado de outros lacaios do vilão que ainda não estrearam na franquia de jogos.
Ainda há esperança para esses retornos?
A boa notícia é que o histórico recente joga a favor dos fãs. Desde o lançamento, o elenco saltou de mais de 180 para além de 200 lutadores, e a expansão NEO provou que a Bandai Namco está disposta a resgatar até nomes obscuros, estratégia que a empresa já adotava em jogos anteriores da franquia. Portanto, se o suporte continuar nesse ritmo, a lista acima pode encolher nas próximas atualizações. Para quem sonha em ver Sparking! Zero superar de vez seu antecessor, cada um desses nove nomes representa um passo que ainda falta na jornada.