
Existem negócios bons, existem negócios ótimos e existe a compra da Marvel pela Disney. Em 31 de agosto de 2009, a Walt Disney Company anunciou que estava adquirindo a Marvel Entertainment por cerca de US$ 4 bilhões. Na época, muita gente achou caro. Hoje, olhando para trás, dá vontade de rir. A seguir, contamos como esse acordo aconteceu e por que ele é considerado, sem exagero, a compra do século.
Como o negócio foi fechado
Pelos termos do acordo, cada ação da Marvel foi avaliada em cerca de US$ 50, o que representava um prêmio de 29% sobre o valor que os papéis tinham fechado na sexta-feira anterior ao anúncio. Os acionistas da Marvel receberam uma combinação de dinheiro e ações: US$ 30 em espécie mais aproximadamente 0,745 ação da Disney para cada ação da Marvel que possuíssem. No total, o valor da transação ficou entre US$ 4 bilhões e US$ 4,24 bilhões, dependendo da fonte e da forma de cálculo usada na época.
À frente das negociações estavam Bob Iger, então CEO da Disney, e Ike Perlmutter, que comandava a Marvel. Iger declarou que a Marvel traria “oportunidades significativas de crescimento” para o portfólio da Disney, enquanto Perlmutter afirmou que a Disney era “a casa perfeita” para os personagens da editora.

Por que esse negócio foi tão bom assim?
Para entender por que a compra é considerada uma pechincha histórica, separamos alguns fatos que colocam tudo em perspectiva:
- O timing foi perfeito. Em 2009, a Marvel tinha lançado apenas dois filmes do próprio estúdio, “Homem de Ferro” e “O Incrível Hulk”, e ainda dependia de um acordo de distribuição com a Paramount Pictures. O verdadeiro boom do MCU, com “Os Vingadores”, só chegaria em 2012.
- Não era a primeira grande compra da Disney. Três anos antes, em 2006, a companhia já havia adquirido a Pixar por cerca de US$ 7,4 bilhões, quase o dobro do valor pago pela Marvel.
- O retorno foi surreal. Anos depois, análises de mercado (incluindo levantamentos da Forbes) já apontavam o valor da Marvel Entertainment em mais de US$ 50 bilhões, um salto de mais de dez vezes sobre o valor pago originalmente.
- Abriu caminho para negócios ainda maiores. Encorajada pelo sucesso, a Disney repetiria a fórmula anos depois com a compra da Lucasfilm (dona de Star Wars) e, em 2019, fecharia um acordo bilionário para adquirir grande parte dos ativos da 21st Century Fox, por cerca de US$ 71 bilhões.
O que mudou depois da compra
Com a Marvel sob o guarda-chuva da Disney, a editora passou a ter mais liberdade criativa e financeira para construir o que hoje conhecemos como Universo Cinematográfico Marvel (MCU). O acordo de distribuição com a Paramount só terminou de fato em 2012, quando a Disney assumiu o lançamento de “Os Vingadores”, primeiro grande evento do estúdio nos cinemas e um marco que provou, de uma vez por todas, que a aposta tinha valido a pena.
De lá para cá, o MCU se tornou a franquia mais lucrativa da história do cinema, somando dezenas de bilhões de dólares em bilheteria ao redor do mundo, além de séries de sucesso no Disney+ e uma base de fãs que só cresce.

Olhando hoje para os números, fica difícil discordar do apelido que a imprensa deu ao negócio: a compra do século. Poucas aquisições na história do entretenimento se pagaram tão rápido e tão bem, e o mais curioso é que, na época, a decisão dividiu opiniões dentro da própria Disney, com executivos temendo que a Marvel fosse “inovadora demais” para a marca. O tempo, como sempre, deu a resposta, um sucesso absuluto.