Em um setor marcado por margens estreitas, alta volatilidade de preços e uma cadeia logística extremamente complexa, a Vibra Energia (VBBR3) encontrou na inteligência artificial uma alavanca poderosa de eficiência operacional. O resultado mais emblemático dessa aposta tecnológica é impressionante: uma redução de R$ 900 milhões nos níveis de estoque, conquistada por meio de IA preditiva aplicada diretamente à gestão da cadeia de suprimentos.
O Problema que a IA Veio Resolver
Distribuir combustíveis no Brasil não é tarefa simples. Flutuações sazonais na demanda, oscilações nos preços do petróleo e uma rede logística que precisa abastecer todo um país criam um ambiente extremamente desafiador. Para a Vibra, esse cenário gerava dois extremos igualmente prejudiciais: estoques excessivos, com altos custos de armazenamento, ou falta de produtos, causando perda de vendas e insatisfação dos clientes.
Foi para resolver esse dilema que, em 2023, a companhia deu um passo estratégico e implementou sua primeira solução de IA preditiva focada na gestão de estoques.
Como a Tecnologia Funciona
A ferramenta desenvolvida pela Vibra analisa um volume massivo de dados em tempo real: histórico de vendas, tendências de mercado, dados regionais, perfil de compra dos clientes e até variáveis climáticas e geopolíticas. Com algoritmos de machine learning – ou seja, modelos que aprendem com os dados e melhoram continuamente -, o sistema consegue identificar padrões complexos e prever a demanda futura com muito mais precisão do que os métodos tradicionais permitiam.
O impacto direto foi o ajuste fino dos níveis de abastecimento: nem falta, nem excesso. Segundo Aspen Andersen, vice-presidente de Gente, Tecnologia e ESG da Vibra, essa capacidade preditiva foi determinante para a redução de R$ 900 milhões nos níveis de estoque já no segundo trimestre de 2024.
Além da economia financeira, outro ganho foi a agilidade na tomada de decisões. Com relatórios em tempo real, a empresa passou a realocar recursos em horas – e não mais em dias -, respondendo rapidamente a mudanças de mercado. Essa capacidade se mostrou crucial quando tensões no Oriente Médio geraram volatilidade no preço do petróleo: a Vibra dobrou as importações de diesel estrategicamente para garantir o abastecimento sem comprometer as margens.

Resultado nos Negócios
A transformação digital não ficou restrita aos estoques. O segmento B2B da Vibra, que em 2025 movimentou R$ 70 bilhões em receita e distribuiu 13,5 bilhões de litros de combustíveis, tem usado a IA para estreitar o relacionamento com clientes corporativos de setores como mineração, agronegócio, siderurgia e aviação.
Só no primeiro trimestre de 2026, a companhia assinou 55 novos contratos corporativos e expandiu sua presença de 26,5 mil para 32,7 mil pontos de consumo atendidos. No agronegócio, o volume vendido cresceu 20% no mesmo período.
Uma Transformação que vai Além da Tecnologia
Para Andersen, a adoção da IA na Vibra representa muito mais do que uma mudança de sistemas. “Esta expansão não é apenas sobre tecnologia. Envolve uma transformação cultural”, afirma o executivo. Nessa direção, a empresa lançou a Academia de IA, iniciativa que capacita os funcionários – do nível operacional ao executivo – para entenderem e aplicarem os princípios da inteligência artificial em suas rotinas.
A Vibra também aplica IA em outras frentes: precificação dinâmica regional, manutenção preditiva em oleodutos com sensores inteligentes e aprimoramento do atendimento ao cliente.

O que o Caso Vibra Ensina ao Mercado
O case da Vibra é um exemplo concreto de como a inteligência artificial deixou de ser tendência para se tornar vantagem competitiva real e mensurável. R$ 900 milhões liberados de estoques não é um número abstrato – é capital de giro recuperado, risco reduzido e operação mais resiliente.
Para empresas de qualquer porte, a lição é clara: dados bem utilizados, aliados a modelos preditivos, transformam a gestão da cadeia de suprimentos de um gargalo em um diferencial estratégico.