INTELIGÊNCIA ARTIFICIALArm anuncia Neoverse CSS N4 “Ranger”, plataforma de até 128 núcleos para servidores de IA

A principal novidade é o salto na quantidade de núcleos por chip: enquanto a geração anterior, CSS N2, chegava a 64 núcleos, a nova CSS N4 dobra esse número, alcançando até 128 núcleos Neoverse N4 por die, com frequências de até 3,8 GHz. Segundo a Arm, o sistema pode escalar ainda mais através de designs com múltiplos chiplets e múltiplos soquetes, mirando clientes que constroem hardware customizado para nuvem e aceleração de IA.

O que muda na prática para os data centers

Além do aumento de núcleos, a nova plataforma traz avanços relevantes de memória e conectividade. A CSS N4 é a primeira da série N a suportar memória LPDDR6, além de contar com conectividade PCIe Geração 7 e suporte a CXL 4.0, tecnologia que permite compartilhamento mais eficiente de memória entre diferentes componentes do servidor. O cache L3 compartilhado também cresce de 64 MB para 256 MB, um salto de quatro vezes em relação à geração anterior, enquanto o cache L2 por núcleo dobra, de 1 MB para 2 MB. A plataforma ainda ganha aceleração nativa em FP8 e MMLA, formatos numéricos usados especificamente para acelerar cargas de inferência de IA sem sacrificar tanta precisão quanto formatos ainda mais compactos.

A Arm afirma que a combinação dessas melhorias deve entregar o dobro de desempenho por soquete, 1,75 vez mais largura de banda de memória e ganho de 25% em eficiência energética por watt em relação à geração CSS N3. Vale o alerta de sempre: esses números são projeções internas da própria empresa, já que nenhum chip baseado na nova plataforma foi fabricado até o momento, e ainda não existem benchmarks independentes disponíveis. Segundo análises técnicas do setor, a apresentação oficial se resumiu a um único slide com as especificações principais, sem demonstrações práticas de desempenho.

Data center com fileiras de servidores em operação, infraestrutura usada por chips Arm Neoverse CSS N4 para inteligência artificial

A CSS N4 funciona como um framework de design semipersonalizado, não como um processador pronto para venda. Fabricantes de chips que licenciam a tecnologia da Arm podem configurar aspectos como quantidade de núcleos, tamanho de cache, tipo de memória e faixas de entrada e saída conforme a necessidade de cada projeto, dentro de uma arquitetura já validada pela Arm. É esse modelo de licenciamento que já sustenta processadores usados por gigantes como AWS (linha Graviton), Google Cloud (Axion) e Microsoft Azure (Cobalt), e a expectativa do mercado é que a nova plataforma sirva de base para as próximas gerações desses mesmos produtos, além de suportar fabricação também na Samsung Foundry, ampliando as opções de manufatura além da tradicional parceria com a TSMC.

Arm também renova o lado mobile no mesmo dia

Curiosamente, o anúncio de servidores não veio sozinho. No mesmo dia, a Arm revelou a plataforma CSS for Mobile 2, batizando sua nova GPU de Mali G2-Ultra NX, a primeira da linha Mali com aceleradores neurais embutidos diretamente nos núcleos de sombreamento. A empresa promete até 4 vezes mais desempenho por watt em tarefas gráficas com IA e ganho de 14% em jogos tradicionais frente à geração anterior, além de uma nova unidade de ray tracing de terceira geração que, combinada com uma técnica chamada Opacity Micromaps, promete reduzir em até 70% o custo computacional de iluminação realista e aumentar a taxa de quadros em até 30% em cenários testados. Em uma demonstração feita ao lado do jogo “Neural Dawn”, desenvolvido em parceria com a Sumo Digital, a Arm afirma ter alcançado até 4 vezes mais eficiência e 70% menos tráfego de memória externa comparado à renderização tradicional.

Essa mesma GPU, aliás, já estreou dentro do chip próprio Xring O3, usado no Xiaomi 18 Fold, reforçando como as tecnologias da Arm seguem presentes tanto em smartphones quanto em servidores, mesmo raramente aparecendo diretamente para o consumidor final.

Junto com o anúncio da CSS N4, a Arm também revelou novos clientes para seu chip próprio de CPU voltado à IA, construído sobre núcleos Neoverse V3: a companhia confirmou que Oracle e ByteDance vão implementar esses processadores, somando-se a nomes que já haviam sido anunciados anteriormente, como Meta, Lenovo, SAP, OpenAI e Cloudflare. O movimento reforça como a arquitetura da Arm vem se tornando presença cada vez mais comum na infraestrutura que sustenta os grandes modelos de inteligência artificial da atualidade, consolidando a empresa como fornecedora tanto do “cérebro” que roda modelos na nuvem quanto do hardware que leva IA para dentro do bolso dos usuários.

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