
Enquanto boa parte do noticiário de tecnologia gira em torno de celulares dobráveis e modelos de inteligência artificial cada vez mais poderosos, a IBM decidiu chamar atenção para o outro lado da equação: o hardware que sustenta tudo isso por trás das cortinas. Em junho deste ano, a empresa apresentou a primeira tecnologia de chip sub-1 nanômetro do mundo, e os números por trás dessa conquista beiram o inacreditável. Uma curiosidade que ajuda a dimensionar o feito: os quase 100 bilhões de transistores desse único chip somam mais do que o número estimado de neurônios presentes no cérebro humano, que gira em torno de 86 bilhões.
Um chip do tamanho de uma unha com quase 100 bilhões de peças
O novo chip da IBM é fabricado em um processo de 0,7 nanômetro, o equivalente a 7 angströns, uma unidade de medida tão pequena que já se aproxima da escala de átomos individuais. Para se ter ideia da escala, um fio de cabelo humano tem, em média, cerca de 80 mil nanômetros de espessura. Ou seja, seria preciso encaixar mais de 100 mil desses transistores lado a lado só para cobrir a largura de um único fio de cabelo.
Para efeito de comparação, os primeiros chips comerciais dos anos 1970 eram fabricados em processos de 10 mil nanômetros, o que ajuda a dimensionar o quanto a indústria avançou em pouco mais de cinco décadas. Esse tipo de progressão, aliás, é o que sustenta a famosa Lei de Moore, teoria que previa a duplicação do número de transistores em um chip a cada dois anos, e que muitos especialistas já davam como praticamente esgotada antes de avanços como esse.
Apesar do tamanho microscópico, o chip concentra uma quantidade impressionante de componentes: quase 100 bilhões de transistores em uma área do tamanho de uma unha. Esse número representa quase o dobro da densidade do chip de 2 nanômetros que a própria IBM havia apresentado em 2021, até então considerado um marco do setor.
Apesar do tamanho microscópico, o chip concentra uma quantidade impressionante de componentes: quase 100 bilhões de transistores em uma área do tamanho de uma unha. Esse número representa quase o dobro da densidade do chip de 2 nanômetros que a própria IBM havia apresentado em 2021, até então considerado um marco do setor.

Como a IBM conseguiu encaixar tanta coisa em tão pouco espaço
O segredo por trás desse avanço tem nome: “nanostack”. Em vez de posicionar os transistores lado a lado, como acontece na maioria dos chips atuais, a IBM passou a empilhá-los verticalmente, em camadas sobrepostas e alternadas. Essa arquitetura tridimensional permite encaixar muito mais componentes na mesma área de superfície, além de possibilitar o uso de materiais diferentes em cada camada, o que ajuda a equilibrar desempenho e consumo de energia.
Segundo a IBM, a nova tecnologia deve entregar até 50% mais desempenho ou até 70% mais eficiência energética em comparação com os chips de 2 nanômetros da própria empresa. Jay Gambetta, diretor da IBM Research, descreveu o avanço como um marco que leva a computação para além da era dos nanômetros, rumo à escala atômica.
Ainda não está nas prateleiras, mas o impacto pode ser gigante
Essa tecnologia ainda está em fase de pesquisa. Segundo estimativas da própria IBM, a produção em escala só deve se tornar viável daqui a aproximadamente cinco anos. O desenvolvimento acontece em uma instalação de pesquisa de semicondutores em Albany, no estado de Nova York, que deve futuramente abrigar equipamentos de litografia de última geração.

Ainda que o consumidor comum não vá sentir o impacto imediatamente, esse tipo de avanço tende a se espalhar por praticamente todos os cantos da tecnologia nos próximos anos, de data centers de inteligência artificial generativa até dispositivos eletrônicos do dia a dia, passando por infraestrutura de nuvem. É basicamente o tipo de conquista que ninguém vê diretamente, mas que sustenta silenciosamente todo o resto do noticiário de tecnologia que a gente acompanha por aqui.
Fica a curiosidade: enquanto empresas como Apple e OpenAI disputam manchetes com lançamentos vistosos, é na escala quase invisível dos átomos que boa parte do futuro da computação está sendo decidida.