Quem é a empresa negociada
A startup em questão é a Decart AI, fundada em 2023 por três engenheiros israelenses: os irmãos Dean e Orian Leitersdorf e Moshe Shalev, todos ex-integrantes da Unidade 8200, o corpo de elite de inteligência cibernética do exército de Israel. Hoje a empresa emprega cerca de 100 pessoas e é comandada por Dean Leitersdorf como CEO.

O carro-chefe da Decart são os chamados “world models” — modelos de IA que buscam simular o mundo físico com base em texto e milhões de horas de vídeo. Além disso, a empresa desenvolve softwares capazes de reduzir o custo de treinamento e operação de inteligência artificial, otimizando o uso de chips e ajudando a infraestrutura existente a lidar com mais demanda de processamento.
Um histórico de valorização acelerada
O crescimento da Decart chama atenção pela velocidade. A empresa já foi avaliada em US$ 500 milhões em rodadas anteriores, saltou para US$ 3,1 bilhões em agosto de 2025 e, em maio deste ano, levantou uma rodada de US$ 300 milhões liderada pela Radical Ventures — com participação de nomes como Nvidia, Adobe Ventures, Sequoia Capital e Benchmark — que elevou seu valor para quase US$ 4 bilhões. Agora, a negociação com a Anthropic pode praticamente dobrar essa marca.
Vale destacar que a Decart não chamou atenção apenas da Anthropic. A Nvidia chegou a manter conversas avançadas para comprar a empresa antes de ofertas maiores surgirem, e Amazon, Nebius e SpaceX também foram citadas como possíveis compradoras ao longo do processo — inclusive Elon Musk chegou a negar publicamente que a SpaceX estivesse negociando a aquisição.
O que muda para a Anthropic
Caso o negócio seja fechado, a equipe da Decart deve se juntar à área de inferência e desempenho da Anthropic — o setor responsável por tornar os modelos de IA mais rápidos e baratos de operar. A movimentação acontece em um momento estratégico: a Anthropic vem investindo pesado em capacidade computacional para sustentar a demanda crescente por seus produtos, e a tecnologia da Decart poderia ajudar a extrair mais eficiência da infraestrutura já existente, sem depender apenas de expansão física de data centers.
É importante frisar que as negociações ainda não resultaram em contrato fechado, e as conversas podem não avançar. Representantes de ambas as empresas preferiram não se pronunciar sobre o assunto.
O contexto por trás da corrida por infraestrutura
O possível acordo reflete uma disputa mais ampla no setor de inteligência artificial. Junto com sua principal concorrente, a Anthropic vem comprometendo dezenas — possivelmente centenas — de bilhões de dólares em data centers equipados com chips avançados, numa corrida por capacidade de processamento que se tornou o principal gargalo do setor. Empresas de IA de ponta têm recorrido cada vez mais a aquisições estratégicas de tecnologia de eficiência, em vez de depender exclusivamente da compra de hardware, justamente para conseguir absorver crescimento sem custos insustentáveis.
A possível compra da Decart chega em um momento particularmente sensível: a Anthropic se prepara para uma esperada oferta pública inicial (IPO) nos próximos meses, e consolidar tecnologia de eficiência computacional pode ser peça-chave para fortalecer sua posição financeira antes da estreia em bolsa. Resta acompanhar se as negociações avançam e se o valor final do acordo se confirma nos próximos capítulos dessa disputa bilionária por infraestrutura de IA.