INTELIGÊNCIA ARTIFICIALAlibaba lança Qwen3.8-Max, seu modelo de IA mais avançado, com 2,4 trilhões de parâmetros

A Alibaba revelou nesta segunda-feira (3) o Qwen3.8-Max, descrito pela empresa chinesa como o modelo de inteligência artificial mais poderoso já lançado pela série Qwen. O anúncio reforça a disputa acirrada entre as gigantes de tecnologia da China e dos Estados Unidos pela liderança em IA generativa, com Pequim intensificando os investimentos em busca de autossuficiência tecnológica.

Ficha técnica: contexto de 1 milhão de tokens e arquitetura gigante

Segundo a Alibaba, o Qwen3.8-Max é um modelo de arquitetura MoE (mistura de especialistas), com 95 bilhões de parâmetros ativos de um total de 2,4 trilhões. Ele suporta janela de contexto de até 1 milhão de tokens e é totalmente multimodal, capaz de processar documentos extensos, vídeos e até transmissões ao vivo para montar bases de conhecimento pesquisáveis.

Entre as funções mais chamativas, a empresa destaca a capacidade do modelo de recriar aplicativos inteiros a partir de simples capturas de tela, gerar jogos interativos e animações educacionais, e transformar plantas baixas bidimensionais em visualizações 3D. O foco declarado é em codificação autônoma, pesquisa complexa e tarefas de longa duração — o tipo de trabalho hoje associado aos chamados “agentes de IA”.

Volta ao código aberto e disputa interna com a Moonshot AI

O lançamento marca a retomada da estratégia de código aberto da Alibaba, depois que a companhia manteve vários modelos recentes fechados no início do ano. O Qwen3.8-Max será o primeiro da “classe Max” a ganhar pesos públicos, previstos para a próxima semana — até lá, o modelo está disponível em versão de pré-visualização via APIs do Model Studio da Alibaba Cloud e pelo QwenWork, plataforma de agentes de IA da empresa para o ambiente corporativo.

O timing chama atenção: o Qwen3.8-Max chegou dois dias depois do Kimi K3, da Moonshot AI — outra chinesa, com 2,8 trilhões de parâmetros e pesos já abertos. A Alibaba detém cerca de 36% da Moonshot, o que sugere uma disputa até dentro do próprio portfólio de investimentos do grupo. O lançamento também segue outros modelos chineses recentes, como o GLM 5.2 da Z.AI, numa onda coordenada de laboratórios asiáticos mirando o topo dos rankings globais com a estratégia de “open weights” como arma de comoditização do mercado.

Apresentado na Arena.AI, plataforma colaborativa de comparação de modelos, o Qwen3.8-Max já se tornou o modelo chinês mais bem avaliado na categoria de texto — embora ainda fique atrás do Claude Fable 5 e de variantes do Opus, da Anthropic, nos rankings da plataforma.

Aposta bilionária em infraestrutura

A Alibaba já havia sinalizado, em maio, que superaria o orçamento planejado de infraestrutura de IA, batendo os 380 bilhões de yuans (cerca de US$ 56 bilhões) programados para três anos. A empresa aposta que a receita ligada a produtos de IA se tornará o principal motor de crescimento da divisão de nuvem nos próximos anos.

Vale o alerta: por enquanto, o Qwen3.8-Max ainda é uma versão prévia, sem model card ou licença definitiva publicada, e a Alibaba não revelou detalhes completos sobre custo de inferência do modelo. Quando os pesos abertos forem liberados, rodar a versão completa localmente vai exigir infraestrutura pesada — os arquivos devem ultrapassar 1,2 TB, território de cluster corporativo, não de notebook comum.

Com o avanço acelerado da concorrência chinesa em modelos abertos, a corrida por relevância na comunidade global de desenvolvedores segue como o principal termômetro da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos — e a Alibaba, com o Qwen3.8-Max, mostra que não pretende ficar para trás.

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