SMARTPHONESMoto G77 é o intermediário da Motorola que aposta tudo em tela e câmera — mas vale o preço ?

Lançado oficialmente em março de 2026, o Moto G77 chegou ao mercado brasileiro com a missão de reposicionar a Motorola na briga por um dos segmentos mais concorridos do momento: os intermediários entre R$ 2.000 e R$ 2.500. Com preço sugerido de R$ 2.499, o aparelho aposta em uma combinação pouco comum nessa faixa — tela AMOLED de alta resolução, câmera principal de 108 megapixels e um design mais refinado do que o de praticamente qualquer concorrente direto. Depois de dias de uso, é hora de entender se essa aposta se sustenta na prática.

Design e construção: o ponto forte do aparelho

Um dos primeiros detalhes que chamam atenção no Moto G77 é a construção. Com apenas 7,3 mm de espessura, o aparelho é visivelmente mais fino do que a maioria dos intermediários do mercado, resultado do acabamento em Pantone com traseira que imita couro — uma assinatura de design que a Motorola vem cultivando há alguns anos e que aqui aparece em sua versão mais elegante até o momento. O modelo é vendido em duas cores da paleta Pantone, o que reforça o posicionamento do aparelho como uma opção mais sofisticada dentro da própria linha G da fabricante.

A resistência também não fica de fora da equação: o Moto G77 conta com certificação IP64 contra respingos e poeira, além de padrão militar de durabilidade MIL-STD-810H e proteção de tela Corning Gorilla Glass 7i. Na prática, é um conjunto de proteções raro de se ver em aparelhos dessa faixa de preço, que normalmente sacrificam esse tipo de reforço em nome de um custo menor.

Tela: destaque absoluto da categoria

A tela é AMOLED de 6,78 polegadas, com resolução Extreme AMOLED Super HD (1,5K) e taxa de atualização de 120 Hz. Na prática, isso significa cores vibrantes, bom contraste e fluidez perceptível na rolagem de conteúdo e em jogos mais leves — um diferencial real frente a rivais que ainda usam painéis LCD nessa faixa de preço. É, sem dúvida, o principal argumento de venda do aparelho, e o tipo de recurso que costuma pesar bastante na decisão de compra de quem consome muito conteúdo em vídeo ou passa boa parte do dia com o celular na mão.

âmera: resolução alta, mas com ressalvas

O conjunto de câmeras traz sensor principal de 108 MP Ultra-Pixel, complementado por uma ultrawide de 8 MP e uma frontal de 32 MP para selfies. Em condições de boa iluminação, as fotos saem nítidas e com boa reprodução de cores, com o processamento por inteligência artificial ajudando a equilibrar a exposição em cenas com contraste mais difícil. A câmera frontal também se destaca, produzindo selfies bem expostas e com processamento de pele natural no modo padrão, além de vídeos em 1440p a 30fps com qualidade acima da média para a categoria.

A ressalva fica por conta do desempenho em baixa luz, onde o sensor perde nitidez de forma mais evidente que concorrentes com sensores maiores — o G77 não chega ao nível de um smartphone com foco em fotografia, mas entrega mais do que a média dos concorrentes diretos na mesma faixa de preço. No geral, o sistema de câmeras é mais do que suficiente para fotografia casual e conteúdo para redes sociais, ainda que fique atrás de modelos mais caros com foco específico em fotografia computacional.

Desempenho: o principal ponto de atenção

O processador escolhido pela Motorola é o MediaTek Dimensity 6400, fabricado em litografia de 6 nanômetros — uma escolha que, na prática, compromete um pouco a eficiência energética do aparelho e limita seu desempenho em tarefas mais pesadas. Para o uso do dia a dia, como redes sociais, navegação, vídeos e aplicativos de produtividade, o chip dá conta do recado sem sustos. Já para jogos mais exigentes ou multitarefa intensa, o G77 mostra suas limitações, especialmente em sessões prolongadas, onde é possível notar aquecimento e certa perda de fluidez.

O aparelho vem com 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento interno, expansível via microSD — uma configuração generosa em termos de espaço, mesmo que o processador não acompanhe o mesmo nível de robustez.

Bateria e conectividade: consistência sem grandes surpresas

A bateria de 5.200 mAh entrega autonomia que pode chegar a até 37 horas em uso misto, segundo a Motorola, com carregamento TurboPower de 33 W permitindo recargas relativamente rápidas. O aparelho ainda suporta 5G, conta com Wi-Fi 5, Bluetooth 5.4 e NFC, além de alto-falantes estéreo com Dolby Atmos — um conjunto completo que cobre praticamente todas as necessidades de conectividade do usuário comum.

Vale o preço?

Considerando o conjunto tela-câmera-design, o Moto G77 se destaca como uma opção sólida para quem valoriza esses três aspectos no dia a dia e não exige desempenho de ponta para jogos pesados. O processador Dimensity 6400 é, sem dúvida, o calcanhar de aquiles do aparelho, mas para o público que usa o celular para tarefas simples — como redes sociais, streaming e fotografia casual — essa limitação dificilmente será sentida no uso cotidiano.

No fim das contas, o Moto G77 confirma a tendência recente da Motorola de investir pesado em tela e câmera para conquistar o consumidor intermediário, mesmo que isso signifique deixar o desempenho bruto em segundo plano. Para quem busca esse equilíbrio específico — boa tela, câmera competente e design premium por um preço ainda dentro da faixa intermediária — o aparelho entrega mais do que a média da categoria. Ainda assim, vale pesquisar bem o preço antes de comprar, já que promoções costumam reduzir significativamente o valor sugerido de R$ 2.499, tornando o custo-benefício ainda mais atrativo.

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