A Sony deu o primeiro passo prático rumo ao fim da mídia física no PlayStation. Poucos dias depois de confirmar que deixará de produzir discos para novos jogos a partir de janeiro de 2028, a empresa já começou a reestruturar sua principal fábrica de mídias ópticas, localizada em Thalgau, na Áustria.
A unidade pertence à Sony DADC (Digital Audio Disc Corporation) e é hoje a maior responsável pela fabricação de discos de PlayStation no mundo, produzindo cerca de 600 mil unidades por dia entre jogos, Blu-rays e CDs. Segundo Dietmar Tanzer, diretor da fábrica, os produtos do PlayStation representam metade de todo o volume produzido na planta, e apenas cerca de 20% desse total corresponde a jogos recém-lançados.
Da prensagem de discos para as microlentes ópticas
Em vez de simplesmente reduzir a operação, a Sony optou por reconverter parte da fábrica para um novo negócio: a fabricação de microlentes ópticas, componentes miniaturizados usados para controlar e direcionar luz com alta precisão, com aplicações em tecnologias avançadas de imagem e sensores.
Para isso, a empresa já investiu cerca de 30 milhões de euros (o equivalente a aproximadamente R$ 184 milhões) na criação dessa nova linha de produção. Parte dos cerca de 300 funcionários da unidade já foi remanejada para a nova área, passando por um programa de requalificação profissional. A expectativa é que a produção em série de microlentes comece já em 2027, um ano antes do encerramento definitivo dos discos para novos jogos de PlayStation.

Por que a Sony está fazendo essa mudança agora
A decisão não é repentina. Nos últimos anos, o consumo de jogos em formato digital cresceu de forma constante, e uma parcela cada vez menor dos jogadores compra jogos em disco para PS5. Com a queda projetada na demanda, manter uma fábrica gigante dedicada quase exclusivamente à prensagem de discos deixou de fazer sentido econômico para a companhia.
Vale lembrar que a Sony já havia passado por um processo parecido antes: a empresa operou uma grande fábrica de discos em Terre Haute, nos Estados Unidos, responsável pela produção de 23 bilhões de unidades ao longo de décadas, encerrada em 2022. Depois do fechamento, a produção foi concentrada em outras unidades, incluindo a de Thalgau — que agora também começa a mudar de função.
Após 2028, a fabricação de discos para novos jogos deve representar apenas cerca de 10% da atividade da fábrica, praticamente restrita à produção de mídias para jogos antigos, Blu-rays e outros conteúdos que ainda dependem do formato físico.
O que muda para quem já tem PS5
É importante destacar: a mudança não afeta os jogos físicos que você já possui. Discos de PS5 vendidos até 2028 continuarão funcionando normalmente nos consoles com leitor óptico. O que muda é que, a partir de janeiro de 2028, novos lançamentos deixarão de sair em disco, sendo distribuídos apenas digitalmente pela PlayStation Store.
Também não há confirmação de que o próximo console, o PlayStation 6, será totalmente incapaz de ler discos. Um leitor óptico ainda pode existir de forma integrada ou como acessório vendido separadamente, garantindo retrocompatibilidade com a biblioteca física já existente.
Reação dos jogadores
O anúncio do fim dos discos físicos não foi bem recebido por parte da comunidade gamer. Colecionadores e defensores da mídia física argumentam que os discos garantem posse real do jogo, possibilidade de revenda e independência de servidores online — pontos que o formato digital não oferece da mesma forma. Apesar da mobilização, a Sony sinalizou que a decisão está consolidada e dificilmente será revertida.
Conclusão

A reconversão da fábrica de Thalgau mostra que o fim dos discos de PlayStation não é apenas um anúncio de marketing, mas parte de uma transformação industrial já em andamento. Ao mesmo tempo em que encerra um capítulo de décadas ligado à mídia física — que passou por cartuchos, CDs, DVDs e Blu-rays ao longo da história do PlayStation —, a Sony aposta que o futuro do entretenimento, e também de parte do seu próprio negócio industrial, será cada vez mais digital.