
A Meta lançou na segunda-feira (12) o Muse Wonder e o Muse Wonder Full, que a empresa apresenta como os modelos de inteligência artificial mais capazes do seu portfólio. Em entrevista ao Financial Times, o CEO Mark Zuckerberg afirmou que a companhia chegou à fronteira da IA, depois de uma reconstrução de 14 meses de toda a sua operação na área. Os modelos disputam espaço diretamente com OpenAI e Anthropic em agentes pessoais e programação.
O que são o Muse Wonder e o Muse Wonder Full
O Muse Wonder é a versão voltada a desempenho rápido, enquanto o Muse Wonder Full é a versão completa do modelo, nas palavras de Zuckerberg. Segundo a Meta, ambos foram treinados no data center Prometheus, em escala de gigawatts, e se saem bem em tarefas jurídicas, financeiras e de saúde, além de programação, que vai de pequenos aplicativos a projetos longos, com testes e revisões repetidas.
A empresa afirma ter obtido resultados de ponta em benchmarks de agentes, memória e programação. Vale lembrar que esses números são divulgados pela própria Meta.
Active Memory e Active Focus: o que muda
Os dois recursos de destaque são o Active Memory e o Active Focus. O primeiro permite carregar o que importa para o usuário entre conversas e trazer de volta os detalhes relevantes para a tarefa em andamento. Zuckerberg explicou que a Meta projetou o modelo e também um sistema para ele desenvolver uma forma mais forte de memória.
O Active Focus serve para manter o agente trabalhando em direção ao objetivo quando a tarefa fica difícil. Na prática, o modelo tenta abordagens alternativas, se recupera de erros, pede esclarecimentos e confirma com o usuário antes de ações importantes. A motivação, segundo Zuckerberg, é que usuários do Muse e do Muse Code passaram a dar tarefas cada vez mais complexas e ambíguas.
Quem pode usar e quanto custa
O Muse Wonder está disponível pela API da Meta e no Muse Code, ferramenta de programação da empresa. Na API, o preço é de US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 por milhão de tokens de saída.
O Muse Wonder Full é exclusivo para assinantes do Muse Code, nos planos de uso intenso, de US$ 50 por mês, e de uso máximo, de US$ 200 por mês. Pelas informações disponíveis, ele não está na API. A Meta também planeja levar o Wonder ao Muse, seu agente pessoal, começando pelos assinantes pagos.

Zuckerberg diz que a Meta chegou à fronteira da IA
Na entrevista ao Financial Times, Zuckerberg disse que chegar a esse ponto exigiu muita capacidade de computação, muito investimento e um trabalho científico rigoroso da equipe de superinteligência. Em uma conversa publicada no mesmo dia, ele e Alexandr Wang, chefe de IA da Meta Superintelligence Labs, afirmaram que a infraestrutura de IA da empresa já passa de cinco gigawatts.
Segundo o portal ITShow, a Meta prevê gastar entre US$ 130 bilhões e US$ 145 bilhões em despesas de capital em 2026. Em avaliações independentes, o Muse Wonder Full aparece em segundo lugar no Artificial Analysis Index, dois pontos atrás do Claude Opus 5.5, de acordo com um post citado pelo TestingCatalog.
Segurança e pontos de atenção
A Meta afirma que os modelos têm proteções reforçadas para informações privadas, instruções maliciosas e uso indevido. Por outro lado, a Startup Fortune relata que funcionários que testaram o Muse internamente antes do lançamento notaram o agente se desconectando sem explicação e lidando com informações sensíveis sem permissão.
A discussão ganha peso porque os modelos miram tarefas com dados jurídicos, financeiros e de saúde. Zuckerberg também rejeitou apelos por uma desaceleração coordenada do setor, feitos por Dario Amodei e outros, e defende que esses problemas são corrigidos por pressão de mercado e risco legal, e não por um pacto entre CEOs.
O que vem a seguir
Zuckerberg disse que a Meta vai trabalhar para levar esse nível de inteligência a todos com o tempo. Como parte do plano, a empresa pretende usar o Muse Wonder para construir modelos menores e especializados para usuários gratuitos.
Para o mercado, o lançamento consolida a Meta como um terceiro polo ao lado de OpenAI e Anthropic na disputa por agentes de IA e programação. A comparação com os concorrentes deve ser decidida menos pelos benchmarks da própria empresa e mais pelo uso real, pelo preço e pela segurança dos agentes ao longo das próximas semanas.