
Poucas séries de terror mudaram tanto de cara sem perder a alma quanto Silent Hill. Com o lançamento de Silent Hill: Townfall, nesta quinta-feira (24), para PS5 e PC, a franquia chega ao seu capítulo mais diferente: primeira pessoa, Escócia dos anos 1990 e uma TV de tubo portátil no lugar do rádio. Para entender como a neblina foi parar aí, vale voltar ao começo.
A era Team Silent: quando tudo começou
A série nasceu no PlayStation, em 1999, criada pela Team Silent, um grupo de desenvolvedores dentro da Konami Computer Entertainment Tokyo. O primeiro jogo acompanha Harry Mason, que procura a filha adotiva desaparecida na misteriosa cidade de Silent Hill, no estado americano do Maine. No caminho, ele esbarra em um culto que tenta reviver uma divindade.
Em 2001, o segundo jogo mudou o rumo e virou o favorito da maioria dos fãs. Em vez de continuar a história de Harry, apresentou James Sunderland, um viúvo que volta à cidade depois de receber uma carta da esposa morta. Em 2003, Silent Hill 3 trouxe Heather Mason, uma jovem de 17 anos que acorda de um pesadelo em uma lanchonete dentro de um shopping, e retomou a história do primeiro jogo. Já Silent Hill 4: The Room, de 2004, seguiu Henry Townshend, preso dentro do próprio apartamento, e foi o último jogo feito pela Team Silent.
A fase ocidental: mais ação, menos aplausos
Depois disso, a Konami passou a entregar a franquia a estúdios de fora do Japão. Origins (2007), Homecoming (2008) e Downpour (2012) foram desenvolvidos por empresas ocidentais e receberam críticas bem menos positivas que a fase clássica. Também surgiram jogos diferentes, como Shattered Memories (2009) e o spin-off Book of Memories (2012), mas a sensação era de uma série sem rumo.

P.T. e o cancelamento que marcou uma geração
Em 2014, a demo P.T. assustou o mundo e prometeu um novo Silent Hill. O projeto era assinado por Hideo Kojima e Guillermo del Toro e teria Norman Reedus como protagonista. Só que o jogo completo, o Silent Hills, foi cancelado em 2015, e a franquia entrou em hibernação. Muitos fãs acreditavam que nunca veriam um novo capítulo.
O retorno: remake, experimentos e novos olhares
A virada veio em outubro de 2022, quando a Konami anunciou de uma vez o remake de Silent Hill 2, o Townfall, o Ascension, o Silent Hill f e o filme Return to Silent Hill. Depois vieram Ascension (2023), The Short Message (2024) e, em 8 de outubro de 2024, o remake de Silent Hill 2, feito pela Bloober Team. A volta de Akira Yamaoka, compositor original, e de Masahiro Ito, artista de conceito, ajudou a manter a identidade da série. Segundo a Konami, a franquia já passou de 17,8 milhões de cópias vendidas (dados de junho de 2026).
Silent Hill f: a série sai dos Estados Unidos
Em 2025, Silent Hill f mostrou que a série podia se reinventar sem repetir a cidade do Maine. O jogo se passa no Japão dos anos 1960, na cidade fictícia de Ebisugaoka, e a proposta de buscar horror na cultura e na história de outro país virou uma marca dessa nova fase. Foi também um sucesso, com 1 milhão de cópias vendidas no primeiro dia, e levou a Konami a mirar um lançamento novo por ano, segundo o produtor Motoi Okamoto.
Townfall: primeira pessoa e terror escocês
Chegamos ao Townfall. Feito pela Screen Burn Interactive, estúdio escocês de Glasgow antes chamado No Code, e publicado pela Konami em parceria com a Annapurna Interactive, ele leva o jogador a St. Amelia, uma ilha fictícia da Escócia, em 1996. Você controla Simon Ordell, que acorda repetidas vezes na água perto das docas e precisa juntar fragmentos do passado para entender o que o liga à cidade.
E o que vem por aí?
A trajetória mostra uma série que aprendeu a mudar de cenário, de país e de perspectiva sem abandonar o medo psicológico que a fez famosa. Ainda há um remake do primeiro jogo em desenvolvimento, sem data definida, o que fecha um ciclo curioso: a franquia que começou no PS1 deve revisitar suas origens depois de passar pela Escócia. Para os fãs, o melhor de tudo é ver que a névoa ainda tem muito a mostrar.