
O Google anunciou nesta segunda-feira (21) o Googlebook, uma nova linha de notebooks com inteligência artificial integrada, criada para disputar espaço com computadores premium como os MacBooks da Apple. A proposta combina elementos do Android e do ChromeOS em uma única plataforma, com o assistente Gemini no centro da experiência, oferecendo recursos que vão desde sugestões contextuais até automação de tarefas do dia a dia, em uma tentativa clara de tornar o notebook uma extensão natural do smartphone Android.
Uma nova categoria além do Chromebook
Diferente dos Chromebooks tradicionais, voltados principalmente a tarefas simples baseadas na web, o Googlebook mira o segmento de notebooks de alto desempenho. A empresa não vai fabricar os aparelhos sozinha: a linha nasce em parceria com Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo, que produzirão os cinco modelos iniciais. É a primeira grande aposta do Google no mercado de laptops desde o Pixelbook, lançado em 2017, e o Pixelbook Go, de 2019, ambos descontinuados em 2022.
Hardware robusto e foco em inteligência artificial
Os modelos do Googlebook contam com pelo menos 16 GB de memória RAM, podendo chegar a 32 GB nas versões mais avançadas, além de opções de armazenamento em SSD. Os processadores variam entre chips Intel Core Ultra Series 3 e Qualcomm Snapdragon X Elite, ambos acompanhados de unidades de processamento neural (NPUs) capazes de superar 45 TOPS dedicados a tarefas de inteligência artificial. As telas são OLED, com resolução 2,8K e superfície sensível ao toque, enquanto a bateria promete autonomia de até 14 horas. A construção usa alumínio, liga de magnésio e fibra de carbono, buscando um acabamento mais premium sem elevar demais o custo final.

Gemini no centro da experiência
O grande diferencial do Googlebook é a integração profunda com o Gemini. Entre os recursos apresentados está o Magic Pointer, que usa o cursor do mouse para oferecer sugestões contextuais assim que o usuário aponta para elementos na tela. Também é possível criar widgets personalizados por meio de comandos diretos ao assistente. Segundo o Google, o Gemini consegue ajudar na produção e organização de textos, interpretar informações exibidas na tela e executar tarefas diretamente no computador, tudo sem a necessidade de abrir aplicativos separados.
Integração com o Android como principal argumento
Assim como a Apple conecta MacBook e iPhone, o Google quer que o Googlebook funcione em sinergia com smartphones Android. Apesar de ter um navegador de desktop tradicional, o sistema também permite rodar certos aplicativos vindos da Google Play Store, aproximando a experiência do notebook à do celular. Executivos do Android reforçaram que o ChromeOS continua sendo prioridade da empresa, especialmente em ambientes educacionais e corporativos, e que o Googlebook representa uma aposta de longo prazo, não uma tentativa imediata de dominar o mercado.
Preços, disponibilidade e o cenário no Brasil
O Googlebook já está em pré-venda na América do Norte a partir de US$ 899 (cerca de R$ 4.593 na cotação atual), podendo chegar a US$ 1.299 nas configurações mais completas. Os primeiros modelos chegam às lojas em 4 de outubro nos Estados Unidos e no dia seguinte na Alemanha, Austrália, Canadá, França, Irlanda e Reino Unido. Ainda não há data nem preço confirmados para o lançamento no Brasil, mas todas as fabricantes parceiras já possuem representação comercial no país.

O lançamento acontece em um momento de forte disputa no mercado de notebooks premium, com a Apple reforçando sua presença por meio do MacBook Neo, vendido a partir de US$ 699, valor abaixo do Googlebook de entrada. Resta saber se a combinação de Android, Gemini e hardware potente será suficiente para convencer o consumidor a adotar uma terceira plataforma relevante, além de Windows e macOS.