
Depois de mais de duas décadas tentando tirar o projeto do papel, Zack Snyder finalmente vê The Last Photograph chegar às telas. O longa faz sua estreia mundial neste domingo (13), no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), marcando o fim de uma jornada que começou ainda em meados dos anos 2000, muito antes de Snyder se tornar o nome por trás de franquias como Watchmen, 300 e o universo estendido da DC.
Um roteiro que esperou quase 20 anos por atores
A história de bastidores do filme é quase tão longa quanto o próprio roteiro. A ideia nasceu ainda em meados dos anos 2000, quando Snyder ainda nem havia dirigido seus primeiros grandes sucessos no cinema. Segundo o próprio diretor, os direitos do projeto chegaram a ficar em situação indefinida por anos até serem retomados pelo produtor Gianni Nunnari.
Em 2011, nomes como Christian Bale e Sean Penn chegaram a ser cotados para os papéis principais, mas ambos deixaram o projeto antes das filmagens começarem, deixando o roteiro engavetado por mais uma longa década. Só em agosto de 2025 Snyder confirmou oficialmente The Last Photograph como seu próximo filme, definindo Stuart Martin e Fra Fee, ambos ex-colaboradores dele em Rebel Moon, como os protagonistas.
Do que trata a história
O filme segue Ethan Black (Stuart Martin), um ex-agente da DEA que embrenha pelas montanhas dos Andes, na Colômbia, em busca dos sobrinhos sequestrados após o assassinato dos pais, um casal de diplomatas. Para encontrá-los, ele precisa da ajuda de um fotógrafo de guerra em decadência, vivido por Fra Fee, a única pessoa que viu o rosto dos sequestradores. Ao longo da jornada, os dois não apenas correm contra o tempo para encontrar as crianças, como também precisam encarar fantasmas do próprio passado, em uma trama que mistura ação, drama e elementos que, segundo a sinopse oficial, aos poucos borram a linha entre o real e o surreal.

Uma abordagem mais intimista para o diretor
Diferente das grandes superproduções que marcaram sua carreira recente, Snyder descreveu The Last Photograph como um retorno a uma forma de fazer cinema mais pessoal. “A ideia de pegar a câmera na mão e simplesmente fazer um filme de forma íntima é muito atraente para mim”, afirmou o diretor sobre o conceito do longa, que ele também assina como diretor de fotografia, algo raro em sua filmografia recente e que reforça o caráter quase artesanal da produção, distante da escala industrial de seus últimos trabalhos.
As filmagens, realizadas majoritariamente na Colômbia, foram concluídas em novembro de 2025, quando Snyder agradeceu publicamente sua equipe internacional pelo esforço em um set com condições geográficas desafiadoras, e a trilha sonora ficou a cargo de Hans Zimmer, colaborador frequente de Snyder, ao lado de Omer Benyamin e Steven Doar.
Por que essa estreia importa
Para os fãs de Snyder, The Last Photograph representa uma chance rara de ver o diretor fora de sua zona de conforto habitual, sem super-heróis, mitologia grandiosa ou efeitos visuais exagerados no centro da narrativa. A estreia no TIFF também funciona como um teste importante de recepção crítica antes de uma eventual data de lançamento mais ampla, já que o filme ainda não tem confirmação oficial de estreia nos cinemas comerciais, nem no Brasil nem nos Estados Unidos.
Depois de duas décadas de idas e vindas, o simples fato de o projeto finalmente existir já é, para muitos fãs, uma vitória por si só, independentemente de como a crítica vai recebê-lo no fim de semana, servindo também como um lembrete raro de que até os diretores mais consolidados de Hollywood enfrentam anos de obstáculos para colocar seus projetos mais pessoais de pé.