INTELIGÊNCIA ARTIFICIALOpenAI confirma que vai construir seu próprio robô humanoide, diz Sam Altman

CEO OPENAI

A resposta foi direta: “Definitivamente faremos um humanoide. Também faremos outros formatos”, afirmou Altman, sem deixar espaço para dúvidas sobre a entrada da empresa também no hardware físico, e não apenas na inteligência que controla os robôs.

A confirmação encerra meses de especulação no setor sobre até onde iriam os planos de robótica da companhia, que já vinha sinalizando esse movimento desde a criação de uma divisão dedicada ao tema no início do ano.

OPENAI: Por que a forma humana

Segundo Altman, a escolha pelo formato humanoide não é coincidência, mas uma decisão estratégica baseada no ambiente em que vivemos. “O mundo é em grande parte projetado para as pessoas”, disse o executivo.

“Se você pensar na capacidade de abrir uma porta, digitar em um computador, operar uma máquina, limpar uma cozinha e muito mais, podemos proporcionar essa realidade, e quero garantir que continuemos a construir isso para as pessoas. Reproduzir esse formato parece uma boa ideia.”

Na visão de Altman, replicar a anatomia humana é o caminho mais direto para que um robô consiga operar em espaços, ferramentas e equipamentos que já existem, sem exigir adaptação do ambiente ao redor.

O cérebro é mais difícil que o corpo

Apesar de confirmar o projeto, Altman deixou claro onde considera estar o verdadeiro desafio da robótica humanoide: não na construção da estrutura mecânica, mas no desenvolvimento da inteligência física capaz de controlá-la.

“Acredito que tudo isso é menos importante do que descobrir como funciona o cérebro que faz o robô funcionar”, declarou o CEO.

Essa fala explica, em parte, uma movimentação recente da própria empresa. Em maio, no mesmo dia em que anunciou a criação da divisão OpenAI Robotics e abriu vagas para contratação, a companhia passou a buscar ativamente especialistas em atuadores, um dos componentes mais caros e com maior restrição de fornecimento em qualquer robô humanoide atualmente.

Na prática, a OpenAI estaria comprando diretamente a expertise que hoje é apontada como um dos principais gargalos do setor.

A movimentação também representa uma mudança de postura da empresa dentro da disputa por inteligência artificial física. Até então, a OpenAI fornecia inteligência para robôs de parceiros externos, caminho seguido por rivais como Google DeepMind, cujo modelo Gemini Robotics 2 já roda em hardwares da Apptronik, Boston Dynamics e Franka, e como a Physical Intelligence, com seu modelo π0.7.

Ao decidir construir também o corpo físico do robô, a OpenAI passa a competir diretamente com fabricantes de hardware, incluindo empresas que hoje dependem justamente de parceiros como ela para fornecer o “cérebro” de seus humanoides, caso da Figure AI.

Vale reforçar que, até o momento, a OpenAI não divulgou data de lançamento, meta de unidades produzidas, parceiro de fabricação definido ou sequer um protótipo funcional do robô.

Como termo de comparação, Altman já havia dado à revista Time uma janela precisa para o lançamento do dispositivo de mesa desenvolvido em parceria com o designer Jony Ive, previsto para o início de 2027, mas para o projeto humanoide a única garantia oferecida até agora foi a palavra “definitivamente”.

Há, portanto, espaço para ceticismo sobre quando esse robô de fato chegará ao mercado, mas a confirmação já reposiciona a OpenAI como concorrente direta de gigantes da robótica física, num momento em que a corrida por corpos capazes de executar tarefas humanas no mundo real ganha tanta atenção quanto a disputa pelos modelos de linguagem mais avançados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima