
A discussão sobre o fim das mídias físicas nos games ganhou força recentemente. A PlayStation já confirmou que vai parar de fabricar discos a partir de 2028, e agora é a vez da Xbox entrar no centro do debate. Em entrevista à BBC durante a Gamescom 2026, a CEO da Xbox, Asha Sharma, foi questionada diretamente sobre se o Project Helix, nome código do próximo console da marca, seria uma plataforma sem leitor de disco. Ela não confirmou nem negou.
A pergunta que a Xbox não quis responder
Ao ser questionada sobre a ausência de disco no novo hardware, Sharma tentou desviar da pergunta com bom humor, afirmando que a empresa não vai detalhar o Project Helix por enquanto. Ela reconheceu, porém, que a equipe trabalha em uma “família de dispositivos” para a próxima geração, e não em um único aparelho. Segundo a executiva, a Xbox seguirá empurrando os limites de desempenho, reforçando a promessa de que o novo console vai rodar tanto jogos de Xbox quanto jogos de PC.
Sharma também apontou para um problema que vai além do disco: segundo ela, toda a indústria precisa inovar em acessibilidade e eficiência de custo, algo que a Xbox nunca precisou priorizar da mesma forma. A crise atual de componentes e memória tornou isso inevitável, e a executiva defendeu dar mais opções ao público sobre como comprar e usar o console.

Por que a dúvida sobre o disco importa agora
O momento não é coincidência. A Sony anunciou recentemente que vai encerrar a produção de jogos em disco físico para o PlayStation em 2028, o que reacendeu o debate sobre o fim da mídia física nos consoles. A resposta da Xbox veio por outro caminho: a empresa lançou um sistema de conversão de disco para digital, batizado de disc-to-digital, hoje disponível primeiro para participantes do programa Xbox Insider.
A tendência já é visível na geração atual. O Xbox Series X ainda existe em versão com leitor, mas o modelo mais vendido da linha é justamente o Series S, que nunca teve disco. Levantamentos do mercado americano mostram que os jogos de Xbox representam hoje uma fatia pequena das vendas físicas de games nos Estados Unidos. Diante desse cenário, a resposta evasiva de Sharma soa menos como surpresa e mais como confirmação indireta de um caminho já em curso.
Uma família, não um único console
A declaração de maior peso na entrevista pode não ter sido sobre discos. Ao usar a expressão “família de dispositivos”, Sharma deu a primeira confirmação pública de que o Project Helix não será um aparelho único. Até então, a Microsoft descrevia o projeto oficialmente como “o próximo console proprietário”, no singular, com um chip customizado feito em parceria com a AMD e suporte às próximas gerações de DirectX e FSR. A fala da CEO sugere um catálogo de produtos sob a mesma marca, que pode incluir desde um console tradicional de sala até versões mais portáteis ou voltadas à eficiência de custo.
Vale lembrar que a Microsoft já testou esse formato de “família” antes, quando lançou o Xbox Series X ao lado do Series S, com propostas de preço e desempenho diferentes. A diferença é que, dessa vez, a ideia parece nascer já na concepção da nova geração, e não como um desdobramento posterior.

O pano de fundo financeiro
A cautela da Xbox também tem explicação econômica. A empresa precisou reajustar os preços dos consoles atuais por causa da crise nos custos de memória RAM e outros componentes, um problema que afeta toda a indústria de hardware. Ainda assim, a companhia mantém a confiança de que vai voltar a ser lucrativa já no próximo ano fiscal, segundo declarações recentes de executivos da Microsoft. Cortar custos com mídia física poderia ser uma forma de compensar parte dessa pressão, embora a Xbox não tenha feito essa ligação diretamente.
Por ora, o que existe é uma decisão adiada e uma pista relevante sobre a estrutura do próximo console. A Microsoft prometeu compartilhar mais detalhes do Project Helix em breve, e estimativas do setor indicam que o hardware para desenvolvedores deve começar a circular ainda em 2027. A Xbox já vem investindo em alternativas ao disco, como mostra a expansão recente do Xbox Cloud Gaming, e o Game Pass segue como peça central dessa estratégia.
Enquanto isso não acontece, os sinais dados por Sharma são claros: o fim do disco na próxima geração de consoles parece ser uma questão de quando, não de se. Resta saber se a Xbox vai seguir o caminho radical da Sony, ou vai manter alguma porta aberta para quem ainda valoriza ter o jogo em mídia física.