
A partir desta segunda-feira (24), o ChatGPT começou a exibir anúncios para usuários de 31 países europeus, incluindo Alemanha, França, Espanha, Itália e Portugal. A mudança, confirmada pela própria OpenAI em comunicado oficial, marca a maior expansão do programa publicitário do chatbot desde que ele começou a ser testado, em fevereiro deste ano, apenas nos Estados Unidos.
O que menos gente sabe é que o Brasil não é novidade nessa lista: o país já estava entre os mercados que passaram a exibir anúncios do ChatGPT ao longo do ano, junto com Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, México, Japão e Coreia do Sul. Com a chegada à Europa, o programa passa a operar em 40 mercados no total.
Como funcionam os anúncios
Os anúncios aparecem apenas para quem usa os planos Gratuito e Go, as camadas mais básicas do ChatGPT. Assinantes dos planos Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu não veem nenhuma publicidade. Segundo a OpenAI, os anúncios surgem ao final de algumas respostas, apenas quando há relação direta com o que foi perguntado, e vêm sempre identificados como conteúdo pago, separados da resposta gerada pela inteligência artificial.
A empresa reforça que os anunciantes não têm acesso ao conteúdo das conversas dos usuários e que a publicidade não influencia as respostas do chatbot. A comercialização dos espaços passa por agências parceiras como Publicis, WPP, Omnicom, MediaPlus, Havas e Dentsu.

Por que a estreia na Europa é diferente
A chegada à Europa exigiu um cuidado extra por parte da OpenAI: a região tem uma das legislações de proteção de dados mais rígidas do mundo, o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD). Por causa disso, os anúncios estreiam no continente europeu sem personalização baseada em dados pessoais, ao contrário do que já acontece em outros mercados. A empresa também atualizou sua política de privacidade especificamente para essa etapa do lançamento.
Essa cautela reflete uma crítica que já vinha sendo feita ao programa. Em janeiro deste ano, um senador americano chegou a enviar uma carta a executivos de grandes empresas de tecnologia, incluindo a OpenAI, alertando sobre o risco de anúncios explorarem o vínculo emocional que usuários desenvolvem com chatbots de IA, e questionando como a empresa pretendia evitar publicidade em conversas sensíveis, como as relacionadas a saúde física, saúde mental ou política.
O que isso significa para o modelo de negócio da IA
A decisão da OpenAI segue um caminho parecido ao que Google e Meta já trilharam: transformar uma ferramenta gratuita e amplamente usada em uma plataforma sustentada, ao menos em parte, por publicidade. A diferença, segundo a própria empresa, é a forma como a segmentação funciona: em vez de depender de palavras-chave de busca, o ChatGPT baseia a publicidade na intenção que a pessoa expressa em linguagem natural durante a conversa, o que a OpenAI descreve como um contexto de “alta intenção”, mais próximo do momento em que alguém já está decidindo o que comprar ou contratar.

Vale ficar de olho nos próximos meses: se o modelo publicitário provar ser lucrativo o suficiente na Europa, é provável que a OpenAI amplie os formatos de anúncio também para os mercados que já têm a função ativa, caso do Brasil. Isso poderia significar anúncios mais frequentes ou até personalização, algo que hoje ainda não acontece por aqui do mesmo jeito que em buscadores tradicionais. Por enquanto, a recomendação prática para quem usa o ChatGPT no plano gratuito é observar se anúncios já aparecem nas suas conversas e verificar, nas configurações da conta, as opções disponíveis para gerenciar a segmentação publicitária, Fica o alerta: vale acompanhar essa mudança de perto nas próximas semanas.