Quem cresceu nos anos 1980 associa o herói de Eternia a um objeto específico: a Espada do Poder. Uma peça agora em leilão, porém, mostra outra versão do personagem — He-Man montado no Gato Guerreiro, empunhando um machado enorme e carregando um escudo, sem sinal nenhum da arma que o consagrou.
O que a peça mostra
A pintura é assinada por Earl Norem, ilustrador celebrado por trabalhos daquele período. Ao fundo aparecem as torres de Eternia, cenário familiar a qualquer criança da época. A finalidade original era puramente comercial: a arte foi criada para um pôster destacável distribuído em uma revista da franquia no segundo semestre de 1986.
O material está em leilão pela casa Heritage Auctions, com lance atual girando em torno de 5,3 mil dólares — valor que varia conforme o câmbio e ainda pode subir bastante até o encerramento.
Por que ele não carrega a espada
A explicação surpreende quem só conhece o desenho animado. Nas primeiras versões, o personagem era um guerreiro bárbaro de uma tribo de Eternia, sem qualquer ligação com realeza. A comparação mais fácil é direta: tratava-se de algo próximo a uma versão infantil de Conan, o Bárbaro, com machado no lugar da espada mágica.
Tudo mudou em 1983. A animação que consagrou a franquia criou a identidade dupla do personagem, transformando o Príncipe Adam no herói sempre que ele erguia a arma e gritava o bordão que virou marca registrada mundialmente.
O peso disso para o público brasileiro
Poucos desenhos marcaram tanto por aqui quanto essa animação, que passou em canal aberto e criou uma geração inteira de fãs que reproduzia a frase de transformação no quintal de casa.
A dublagem nacional tem parte enorme nisso. O vilão principal ganhou a voz de Isaac Bardavid, profissional que acumulou mais de 40 mil trabalhos ao longo da carreira e foi homenageado até por Hugh Jackman após sua morte, em 2022. Aquele timbre definiu o antagonista para o público daqui — quem cresceu com a série provavelmente ainda ouve a voz dele ao ver qualquer imagem do personagem hoje

Uma franquia que segue viva — e nasceu ao contrário
O universo nunca sumiu por completo. Houve uma continuação animada lançada em 2021 na Netflix, com elenco de vozes de peso, além de outras produções recentes. Um novo filme live-action chegou às telonas neste ano, aliás, o que reacendeu o interesse pela marca e ajuda a explicar por que uma peça daquele período desperta tanta atenção agora.
Vale registrar como a franquia nasceu: ela veio de uma linha de brinquedos da Mattel, e a animação foi criada depois, para sustentar a venda dos bonecos — o caminho inverso do habitual, em que o produto costuma seguir a história e não o contrário. Esse detalhe explica, inclusive, por que tantas peças de arte promocional daquele período — como o pôster agora em leilão — foram concebidas primeiro para vender brinquedo, e só depois ganharam vida própria como material colecionável.
Arte original de brinquedo virou mercado colecionável próprio nas últimas décadas. Peças produzidas para embalagens, catálogos e revistas promocionais eram tratadas como material descartável na época, e é justamente por isso que sobrou pouca coisa — a raridade explica boa parte dos valores praticados hoje em leilões como esse. Para colecionadores e nostálgicos, cada achado desses funciona quase como uma cápsula do tempo, mostrando um Mestres do Universo que quase ninguém teve a chance de conhecer.